
O Ministério da Saúde iniciou, nesta semana, a etapa nacional de coleta de dados da Pesquisa Nacional de Saúde Mental (PNSM-Brasil). A pesquisa é o primeiro grande estudo de base populacional dedicado exclusivamente a compreender a situação da saúde mental da população adulta brasileira.
Para a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), a medida é oportuna num cenário em que, cada vez mais, as doenças de origem mental aparecem entre os principais motivos de afastamento de trabalhadores.
A saúde mental dos empregados da Caixa Econômica Federal sempre foi uma preocupação para a Fenae. Para fazer o mapeamento da dimensão do problema dentro do banco, a entidade realiza continuadamente pesquisas e avaliações com os empregados. A mais recente, foi realizada em julho de 2025, que revelou um quadro preocupante de adoecimento físico e mental na instituição bancária.
Na época, a pesquisa revelou que pelo menos 37% dos empregados já receberam diagnóstico de problemas de saúde mental relacionados ao trabalho, com predominância para ansiedade, seguida de estresse, depressão, burnout, síndrome do pânico e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Destes, 39% estão lotados nas agências e 30% na área meio. Mais da metade (61%) afirma não perceber apoio adequado à saúde mental por parte da Caixa. Nas agências, esse índice chega a 66%.
Sergio Takemoto, presidente da Fenae, reafirma o compromisso da entidade em elaborar ações e em continuar cobrando medidas do banco que venham ajudar na saúde dos empregados. “A direção do banco deve observar e implementar ações que venham preservar a saúde mental dos empregados. Na maioria das vezes, a pressão por metas, associada a diversos fatores, como o medo do descomissionamento, está adoecendo a categoria”, reforça. “Precisamos de uma mudança urgente na forma como o banco lida com seus trabalhadores, colocando a saúde física e mental como prioridade e preservando a função social da Caixa”, afirma Takemoto
Mais dados da Pesquisa
Os dados mostraram uma dinâmica de adoecimento associada à ameaça constante de descomissionamento e à pressão para vender produtos não considerados úteis ou benéficos à população. Essa prática, segundo a Fenae, não apenas compromete a saúde dos trabalhadores, mas também a função social do banco.
Mais de um terço dos bancários (32%) afirmou que se sente sob ameaça permanente de descomissionamento. Empregados com idade entre 40 e 49 anos, o índice sobe para 45%. Dois em cada três empregados já vivenciaram diretamente o descomissionamento (como vítimas ou testemunhas). A pressão por vender produtos inadequados atinge 41% dos respondentes, chegando a 46% na rede de agências. Entre os mais jovens, até 39 anos, e o grupo de 40 a 49 anos, o índice combinado chega a 59%.

Sobre a pesquisa do Ministério da Saúde
De acordo com o Ministério, problemas relacionados à saúde mental, como depressão, ansiedade e uso excessivo de álcool e outras drogas, estão entre as principais causas de sofrimento, incapacidade e afastamento do trabalho no Brasil e no mundo. A pesquisa permitirá estimar a prevalência de diferentes condições de saúde mental na população, compreender como se distribuem entre diferentes grupos sociais e identificar fatores de risco e de proteção relacionados às condições de vida para aprimorar a oferta de cuidado.
A PNSM-Brasil é um estudo domiciliar com amostra probabilística representativa da população brasileira com 18 anos ou mais. Os domicílios participantes serão selecionados de forma aleatória, garantindo a representação de pessoas de diferentes regiões, perfis sociais e condições de vida. Em cada domicílio selecionado, uma pessoa será sorteada para participar da entrevista. Caso a sorteada não possa responder naquele momento, é possível agendar outro horário para a realização da entrevista.
Apenas um número limitado de domicílios será selecionado, portanto, a participação das pessoas convidadas é fundamental para que os resultados representem adequadamente a população brasileira. As entrevistas serão realizadas presencialmente por pesquisadores treinados, utilizando questionário eletrônico em tablet. O instrumento aplicado segue padrões internacionais recomendados para pesquisas sobre saúde mental.
Durante a abordagem, serão feitas perguntas sobre condições de saúde, experiências de vida, relações sociais, trabalho e renda, bem como aspectos de bem-estar emocional, uso de álcool e outras substâncias e busca por cuidados em saúde. A participação na pesquisa é voluntária e ocorre apenas após o consentimento livre e esclarecido do participante – que poderá interromper a entrevista ou deixar de responder alguma pergunta, se assim desejar.