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Irã denuncia EUA e Israel por genocídio na ONU após assassinato de 175 pessoas em escola

Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores do Irã. Foto: reprodução

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou Estados Unidos e Israel de genocídio durante a guerra e cobrou uma condenação internacional após o ataque à escola de Shajareh Tayyebeh, em Minab, que deixou cerca de 175 mortos, entre alunos e professores. A declaração foi feita nesta sexta-feira (27), durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

Ao abordar o bombardeio, ocorrido no início do conflito, o chanceler afirmou que o episódio não foi isolado. “Esse ataque brutal [a Minab] é apenas a ponta visível de um iceberg muito maior, que esconde tragédias ainda mais graves, incluindo a normalização das mais horríveis violações de direitos humanos e do direito internacional humanitário. (…) O padrão de alvos dos agressores, juntamente com sua retórica, deixa pouca dúvida de que sua intenção clara é cometer genocídio”, declarou Araqchi.

O ministro iraniano também afirmou que as vítimas foram “massacrados de forma completamente intencional e brutal”, classificando o ataque como crime de guerra e contra a humanidade.

Segundo análises da mídia estadunidense e uma investigação preliminar militar, o bombardeio teria sido realizado por engano pelas forças dos Estados Unidos, hipótese que ampliou a pressão internacional sobre o governo de Donald Trump.

Durante o discurso, Araqchi apresentou outros dados sobre o impacto do conflito. Ele acusou Estados Unidos e Israel de destruírem ou danificarem mais de 600 escolas, resultando em mais de mil alunos e professores mortos ou feridos. Também criticou a decisão de iniciar a guerra durante negociações nucleares e denunciou ameaças a infraestruturas vitais e civis, que, segundo ele, já teriam sido alvo de ataques.

Escola iraniana bombardeada por EUA e Israel. Foto: reprodução

O chanceler afirmou ainda que o Irã não buscou o confronto e continuará reagindo. Segundo ele, o país irá se defender pelo tempo que for necessário diante das ofensivas.

Os Estados Unidos não enviaram representante para se pronunciar na sessão do conselho. Oficialmente, o governo estadunidense atribui ao Irã a responsabilidade pelo ataque à escola e afirma que não tem civis como alvo. Mesmo assim, o episódio aumentou a pressão internacional por esclarecimentos.

O alto comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, pediu celeridade na apuração. “Altos funcionários dos EUA disseram que o ataque está sob investigação. Peço que esse processo seja concluído o mais rápido possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas. Deve haver justiça pelo terrível dano causado”, afirmou.

O Brasil também se manifestou durante a sessão. O representante do país no conselho, André Simas Magalhães, condenou o ataque e classificou o episódio como grave violação do direito internacional.

“Este ato é grave violação dos direitos humanos e da lei internacional humanitária. Estamos presenciando uma sistemática violação da carta da ONU. Isso parece ter virado uma constante em guerras pelo mundo”, disse.

O caso de Minab intensifica o debate global sobre a condução da guerra e a responsabilização por ataques a civis, ampliando a pressão por investigações independentes e posicionamento da comunidade internacional.