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Filhos de Bolsonaro pressionam EUA por intervenção no Brasil ‘contra PCC e CV’

Flávio e Eduardo Bolsonaro nos EUA. Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro afirmou que é favorável à atuação conjunta com os Estados Unidos no combate ao crime organizado, em meio às discussões no governo de Donald Trump sobre classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Segundo reportagem do The New York Times, a proposta vem sendo analisada pelo Departamento de Estado após pressão de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente de seus filhos, que atuam junto a autoridades americanas para endurecer a resposta internacional contra as facções brasileiras.

Em declaração ao jornal, Flávio tentou se distanciar de qualquer defesa explícita de ingerência externa, mas deixou clara sua posição: “Não apoio interferência estrangeira para resolver os problemas do Brasil com facções criminosas, mas sou favorável à cooperação internacional”.

Nos bastidores, porém, a movimentação da família Bolsonaro vai além do discurso público. De acordo com a reportagem, Flávio e o deputado Eduardo Bolsonaro participaram de reuniões em Washington com integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado. Durante os encontros, apresentaram um dossiê com informações sobre atuação internacional das facções, incluindo suspeitas de tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

A iniciativa ocorre em meio ao avanço da pauta de segurança pública no Brasil, tema central da disputa eleitoral. Flávio, que se coloca como adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusa o governo de ser brando no combate ao crime.

Dentro do governo brasileiro, a proposta americana é vista com preocupação. Autoridades temem que a classificação de PCC e CV como organizações terroristas possa abrir caminho para sanções contra instituições financeiras brasileiras e até justificar ações unilaterais dos Estados Unidos em território nacional.

O tema já foi levado ao Itamaraty. O secretário de Estado Marco Rubio discutiu o assunto com o chanceler Mauro Vieira e sugeriu que o Brasil adotasse a mesma classificação. A resposta foi negativa.

A reportagem também traz a avaliação do governo americano sobre as facções:
“Esses grupos representam ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional.”

Apesar disso, o próprio texto ressalta que PCC e CV não têm papel central no envio de drogas aos Estados Unidos, concentrando suas operações principalmente na Europa e em outros mercados.

Matéria do Times da semana passada mostrou que autoridades dos EUA e do governo equatoriano anunciaram ter bombardeado um suposto campo de treinamento de narcotraficantes. No entanto, uma investigação revelou que o alvo era, na verdade, uma fazenda de gado leiteiro. Moradores afirmaram que o local não tinha ligação com o crime organizado e contaram que foram torturados.