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Os 200 dias de Bolsonaro após ser condenado por golpe de Estado

Ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, em Brasília. Foto: Sergio Lima/AFP

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou o Hospital DF Star, em Brasília, na sexta-feira (27), após quase duas semanas de internação por broncopneumonia bacteriana, e foi encaminhado para prisão domiciliar humanitária no Condomínio Solar de Brasília, onde completa 200 dias desde sua sentença.

A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com prazo inicial de 90 dias, depois de manifestação favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Com a transferência, o ex-presidente passa a cumprir em casa a pena de 27 anos e 3 meses imposta por envolvimento na trama golpista.

A condençação de Bolsonaro foi definida em 11 setembro de 2025 pela Primeira Turma do STF. Na ocasião, ele e outros sete aliados foram responsabilizados por envolvimento na tentativa de ruptura institucional após a derrota eleitoral de 2022.

Bolsonaro foi condenado por chefiar uma organização criminosa armada, tentar abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, praticar golpe de Estado e causar danos ao patrimônio da União, inclusive a bens tombados. O julgamento terminou em 4 a 1, com votos de Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin pela condenação, enquanto Luiz Fux votou pela absolvição.

Desde então, a trajetória do ex-presidente foi marcada por prisão, internações e mudanças no local de custódia. Em 22 de novembro, Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal por ordem de Moraes, sob alegação de risco de fuga.

Bolsonaro no DF Star em foto publicada por Carluxo. Foto: reprodução

Segundo o texto, ele também violou a tornozeleira eletrônica que usava desde julho e confessou aos agentes ter tentado abrir o equipamento com um ferro de solda. Três dias depois, iniciou o cumprimento da pena após o trânsito em julgado para os réus do núcleo 1 da trama golpista.

No fim de dezembro, Bolsonaro voltou a ser internado no DF Star, onde passou por cirurgia para tratar uma hérnia inguinal bilateral e foi submetido a procedimentos para conter soluços persistentes. Recebeu alta em 1º de janeiro, mas retornou à Superintendência da PF.

Poucos dias depois, sofreu uma queda na cela, bateu a cabeça e foi submetido a exames que apontaram edema ou pequeno hematoma externo, sem fratura ou sangramento intracraniano. Em 15 de janeiro, acabou transferido para a Sala de Estado Maior no complexo penitenciário.

A nova internação ocorreu em 13 de março, quando apresentou febre alta, queda de saturação, sudorese intensa e calafrios em razão da broncopneumonia bacteriana.

Ao conceder a domiciliar humanitária em 24 de março, Moraes impôs uma série de restrições, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de redes sociais, gravação de vídeos ou áudios e uso de celular ou outros meios de comunicação externa. As visitas também ficaram limitadas, com acesso dos filhos em dias e horários determinados pelo sistema prisional.