
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou o Hospital DF Star, em Brasília, na sexta-feira (27), após quase duas semanas de internação por broncopneumonia bacteriana, e foi encaminhado para prisão domiciliar humanitária no Condomínio Solar de Brasília, onde completa 200 dias desde sua sentença.
A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com prazo inicial de 90 dias, depois de manifestação favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Com a transferência, o ex-presidente passa a cumprir em casa a pena de 27 anos e 3 meses imposta por envolvimento na trama golpista.
A condençação de Bolsonaro foi definida em 11 setembro de 2025 pela Primeira Turma do STF. Na ocasião, ele e outros sete aliados foram responsabilizados por envolvimento na tentativa de ruptura institucional após a derrota eleitoral de 2022.
Bolsonaro foi condenado por chefiar uma organização criminosa armada, tentar abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, praticar golpe de Estado e causar danos ao patrimônio da União, inclusive a bens tombados. O julgamento terminou em 4 a 1, com votos de Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin pela condenação, enquanto Luiz Fux votou pela absolvição.
Desde então, a trajetória do ex-presidente foi marcada por prisão, internações e mudanças no local de custódia. Em 22 de novembro, Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal por ordem de Moraes, sob alegação de risco de fuga.

Segundo o texto, ele também violou a tornozeleira eletrônica que usava desde julho e confessou aos agentes ter tentado abrir o equipamento com um ferro de solda. Três dias depois, iniciou o cumprimento da pena após o trânsito em julgado para os réus do núcleo 1 da trama golpista.
No fim de dezembro, Bolsonaro voltou a ser internado no DF Star, onde passou por cirurgia para tratar uma hérnia inguinal bilateral e foi submetido a procedimentos para conter soluços persistentes. Recebeu alta em 1º de janeiro, mas retornou à Superintendência da PF.
Poucos dias depois, sofreu uma queda na cela, bateu a cabeça e foi submetido a exames que apontaram edema ou pequeno hematoma externo, sem fratura ou sangramento intracraniano. Em 15 de janeiro, acabou transferido para a Sala de Estado Maior no complexo penitenciário.
A nova internação ocorreu em 13 de março, quando apresentou febre alta, queda de saturação, sudorese intensa e calafrios em razão da broncopneumonia bacteriana.
Ao conceder a domiciliar humanitária em 24 de março, Moraes impôs uma série de restrições, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de redes sociais, gravação de vídeos ou áudios e uso de celular ou outros meios de comunicação externa. As visitas também ficaram limitadas, com acesso dos filhos em dias e horários determinados pelo sistema prisional.