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A aposta de Flávio Bolsonaro no voto dos jovens que aliados veem como “tiro no pé”

Flávio Bolsonaro dança em evento de pré-campanha no Nordeste. Foto: Reprodução

Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência e senador pelo Rio de Janeiro, tem adotado uma estratégia de marketing inusitada ao incluir dancinhas em sua pré-campanha.

Usando o jingle “Funk do 01” e dançando ao som de um batidão, o político tenta se conectar com o público jovem, principalmente nas periferias, através do TikTok. “Dançar gera a percepção de que ele é saudável e mais em forma do que Lula”, afirma Lucas Pimenta, consultor de marketing político. O objetivo é mostrar jovialidade e contrastar com a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos. As informações são da Folha.

No entanto, a estratégia de Flávio Bolsonaro não agradou a todos. Aliados e membros de sua pré-campanha consideraram as danças um erro, comparando os movimentos ao de um orangotango e sugerindo que o episódio foi “um tiro no pé”. Flávio se apresentou dançando em eventos realizados no Nordeste, onde tentou emular o passinho, dança característica do funk. Mas a reação interna foi negativa, com alguns recomendando que as cenas nunca tivessem sido exibidas devido ao impacto negativo nas redes sociais.

A escolha de Flávio de dançar e criar um jingle com inteligência artificial é uma tentativa de se conectar com o eleitorado mais jovem, que, segundo a pesquisa Datafolha de 2022, mostrou grande rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro, principalmente entre pessoas de 16 a 29 anos. “A dança tem uma força política por natureza”, diz Felipe Soutello, especialista em marketing eleitoral. Flávio tenta evitar repetir os erros de seu pai nas eleições de 2022, quando a rejeição entre os jovens foi alta. Em comparação com o pai, Flávio tem uma rejeição menor, segundo as pesquisas mais recentes.

Embora a estratégia de se aproximar da cultura periférica e se engajar no TikTok seja ousada, ela também reflete uma tentativa de Flávio se despolitizar para se tornar mais acessível ao público jovem. Segundo Rodolpho Dalmo, consultor de marketing político, o objetivo da dança é “despolitizar a sua figura, em favor do entretenimento, para se aproximar do eleitorado e só então se apresentar como candidato viável”. Isso mostra um movimento estratégico para tentar parecer um “cara comum”, próximo das pessoas.

No cenário político brasileiro, movimentos semelhantes já foram observados, como o de outros líderes, como o ex-presidente dos EUA Donald Trump, que tentou se conectar com o público através de coreografias. No Brasil, até o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi flagrado dançando em festas.