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Expansão sionista: Netanyahu ordena invasão do sul do Líbano

O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou neste domingo (29) a inasão do sul do Líbano, aprofundando a escalada regional em meio à guerra que também envolve Irã, Estados Unidos e aliados de Teerã.

Em comunicado em vídeo a partir do Comando Norte, o primeiro-ministro israelense afirmou que determinou a expansão da chamada “zona de segurança” e prometeu endurecer a atuação na fronteira norte. “Acabo de instruir a ampliação adicional da atual zona de segurança. Estamos determinados a mudar fundamentalmente a situação no norte”, disse Netanyahu.

A decisão reforça a ofensiva iniciada por Israel em 16 de março, quando o governo anunciou “operações terrestres limitadas” no sul do Líbano contra o Hezbollah.

Na prática, a ação representou uma invasão de território libanês e agravou a crise humanitária no país, com cerca de 1 milhão de pessoas forçadas a deixar suas casas. Dias depois, tropas israelenses começaram a demolir pontes sobre o rio Litani, área considerada estratégica por causa da resolução da ONU de 2006 que previa a retirada do Hezbollah do sul libanês.

No dia 24, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, já havia sinalizado a consolidação dessa faixa militarizada ao afirmar que estabeleceria uma “zona de segurança” na região.

“Todas as cinco pontes sobre o rio Litani que o Hezbollah usava para transportar terroristas e armas foram destruídas, e as Forças de Defesa de Israel controlarão as rotas restantes na zona de segurança até o Litani”, afirmou Katz, na ocasião. O governo do Líbano acusa Israel de tentar criar uma “zona-tampão” permanente no sul do país.

A expansão da ofensiva no Líbano ocorre ao mesmo tempo em que cresce a tensão entre Irã e Estados Unidos. Também neste domingo, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, afirmou que Teerã está preparado para responder a um possível ataque terrestre estadunidense.

Segundo ele, Washington fala em negociação enquanto prepara, nos bastidores, uma ofensiva por terra. “Enquanto os norte-americanos exigirem a rendição do Irã, nossa resposta é que jamais aceitaremos a humilhação”, declarou. “Nossos ataques continuam. Nossos mísseis estão posicionados. Nossa determinação e fé aumentaram”, acrescentou.

Uma tenda médica no sul do Líbano foi destruída durante a ofensiva em andamento de Israel, afirmou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Escombros de prédio atingido por Israel no Sul do Líbano. Foto: Mohamed Azakir/Reuters

Tedros Adhanom Ghebreyesus divulgou uma declaração nas redes sociais dizendo que as operações militares em expansão de Israel no sul do Líbano também resultaram na morte de “mais um trabalhador da saúde hoje”.

“Um paramédico foi morto em um ataque a uma ambulância em Bint Jbeil”, acrescentou. “Além disso, um armazém médico na mesma cidade foi destruído em um ataque.”

Antes dos ataques de hoje, Ghebreyesus disse que a OMS verificou que 51 trabalhadores da saúde libaneses foram mortos desde 2 de março, incluindo nove paramédicos apenas ontem.

Ele continuou: “Isso não pode se tornar a norma. Os trabalhadores da saúde são protegidos pela lei humanitária internacional e não devem ser alvos. A paz é o melhor remédio”.

Jornalistas libaneses mortos

Centenas de pessoas se reuniram neste domingo em Choueifat, ao sul de Beirute, para os funerais de três jornalistas mortos por um ataque aéreo israelense enquanto cobriam a guerra, um ataque denunciado pelo Líbano como um “crime flagrante”.

O ataque de sábado contra o veículo dos jornalistas na cidade de Jezzine matou Ali Shoeib, correspondente veterano da TV Al-Manar, ligada ao Hezbollah, Fatiman Ftouni, da Al Mayadeen, pró-Hezbollah, e seu irmão, o cinegrafista Mohammad Ftouni.

O Exército de Israel afirmou em um comunicado que havia matado Shoeib em um ataque direcionado, rotulando-o de “terrorista” e alegando sem provas que ele seria um operante de inteligência do Hezbollah, acusando-o de relatar sobre a localização de soldados israelenses no Líbano.

Sob chuva intermitente, os três foram enterrados em um cemitério temporário – uma prática comum em tempos de guerra para aqueles que não podem ser enterrados em suas cidades natais.

“Fatima e Ali foram heróis”, disse um parente de Ftouni, que se identificou apenas como Qassem, à agência de notícias AFP.

O correspondente da Al Jazeera, Hitto, afirmou que o clima no sul do Líbano era de “tristeza, mas também de resistência”. “Enquanto as pessoas lamentam esses jornalistas, a mensagem dos membros da mídia é clara: eles não serão intimidados; continuarão a reportar sem parar”, disse ele.

O Ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noel Barrot, disse à emissora pública France 3 no domingo que os jornalistas que trabalham em zonas de guerra “nunca devem ser alvo”, mesmo quando “têm ligações com as partes envolvidas no conflito”.

“Se for realmente confirmado que os jornalistas em questão foram deliberadamente alvos do exército israelense, isso é extremamente grave e uma violação flagrante da lei internacional”, disse Barrot.