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Brasil diminui resíduos de agrotóxicos em alimentos ao menor patamar em 8 anos, diz Anvisa

Avião despejando agrotóxicos em plantação. Foto: reprodução

O número de amostras de alimentos de origem vegetal com perfil insatisfatório em relação aos resíduos de agrotóxicos caiu ao menor patamar dos últimos oito anos, segundo relatório da Agência Nacional de Vigiância Sanitária (Anvisa) sobre o ciclo 2024 do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA).

De acordo com o levantamento, 20,6% das 3.084 amostras analisadas apresentaram algum tipo de não conformidade, o menor percentual desde 2017. Ao mesmo tempo, 79,4% das amostras ficaram sem resíduos detectáveis ou dentro do limite agronômico permitido.

O relatório considera como insatisfatórias as amostras com agrotóxicos não autorizados para uso na cultura em que foram encontrados, com substâncias proibidas ou nunca aprovadas no Brasil, ou ainda com níveis acima do Limite Máximo de Resíduos (LMR) estabelecido pela Anvisa.

Segundo a agência, a principal irregularidade identificada foi justamente o uso de agrotóxicos sem indicação para determinada cultura. Também foram encontradas três amostras com produtos proibidos no país e 13 com agrotóxicos não registrados no Brasil.

A Anvisa também avaliou o risco ao consumidor em duas frentes: agudo e crônico. O risco agudo, que mede a possibilidade de efeitos à saúde após o consumo de grande quantidade de alimento contaminado em um único dia, foi identificado em 12 amostras, o equivalente a 0,39% do total.

Sede da Anvisa em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo a agência, esse resultado confirma a tendência de queda observada nos últimos dez anos. Já o risco crônico, que leva em conta o consumo diário desses alimentos ao longo da vida, não apresentou situações acima da dose de referência considerada segura para a população.

Para chegar a essa conclusão, a Anvisa cruzou dados de consumo alimentar da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, com resultados de monitoramento realizados desde 2013.

O cálculo considerou mais de 28 mil amostras, 36 tipos de alimentos e 345 agrotóxicos diferentes. O órgão informou que, para nenhum dos produtos avaliados, houve ultrapassagem da dose de referência na análise de risco crônico, o que indica ausência de cenário de risco continuado ao consumidor com a inclusão dos dados de 2024.

No ciclo de 2024, foram analisadas amostras de 14 alimentos: abobrinha, aveia, banana, cebola, couve, laranja, mamão, maçã, milho, pepino, pera, soja, trigo e uva.

O PARA, criado para monitorar resíduos de agrotóxicos em alimentos consumidos no Brasil, tem como objetivo avaliar continuamente os níveis dessas substâncias e os riscos à saúde, além de orientar ações de fiscalização e revisão de regras. O plano atual do programa vai de 2023 a 2025 e prevê três ciclos anuais, cobrindo 80% dos alimentos de origem vegetal consumidos no país.

A Anvisa reforçou que frutas, verduras e legumes seguem essenciais para uma alimentação saudável e orientou os consumidores a lavar bem os alimentos em água corrente, usar escovinha para retirar resíduos superficiais e dar preferência a produtos com rastreabilidade e da época.

Nos últimos 15 anos, segundo a agência, os dados do programa ajudaram na reavaliação de 17 agrotóxicos: dez foram banidos, seis tiveram restrições de uso e apenas um não passou por revisão de indicação.