
A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão entre as instituições que adotaram mudanças significativas em seus vestibulares. A partir de 2026, as provas dessas universidades serão concentradas em um único dia, com a eliminação de fases anteriores.
As decisões são baseadas em estudos internos que indicam que a segunda fase não tinha grande impacto nos resultados finais, com pouca alteração nas classificações entre aprovados e reprovados. Nos últimos anos, os vestibulares das universidades públicas sofreram um processo de encurtamento.
Se antes as provas podiam durar mais de três dias, com divisões entre provas objetivas e discursivas em datas separadas, agora as instituições buscam simplificar o processo, concentrando as avaliações em um único dia e com menor ênfase nas provas dissertativas.
Na UFU, o novo modelo de vestibular, que será aplicado em 2026, prevê 65 questões objetivas e uma redação. O formato anterior, com duas fases, incluía um número maior de provas discursivas. Waldenor Moraes, pró-reitor de graduação da universidade, explicou que a mudança se baseia em simulações que mostraram que a exclusão da segunda fase não afetaria significativamente os resultados.
“Se rodássemos o vestibular só com a primeira fase, o resultado mudaria basicamente a ordem de classificação”, afirmou Moraes. Ele destacou que cerca de 80% dos candidatos manteriam suas posições, com variações de 15% a 20%.
Além disso, a UFU também observou um problema relacionado ao abandono de candidatos no decorrer do processo. A universidade notou altas taxas de ausência na segunda fase e de provas discursivas não respondidas, o que afetava a eficácia da seleção.
A mudança no formato busca não só otimizar a seleção, mas também reduzir custos para os vestibulandos, já que a segunda fase era realizada exclusivamente em Uberlândia, demandando deslocamento e hospedagem para candidatos de outras cidades. “Muitas vezes, a gente perdia esse jovem por uma questão socioeconômica”, explicou Moraes.
Na UFPR, a mudança também elimina a divisão em duas fases, concentrando o vestibular em um único dia de prova. O novo formato do exame, que será implementado até 2025, prevê 80 questões objetivas e duas questões de Compreensão e Produção de Texto (CPT), além de uma avaliação específica para cursos de música.

Marco Randi, diretor do Núcleo de Concursos da UFPR, afirmou que simulações internas indicaram um impacto mínimo na classificação dos candidatos. “No máximo 10% das vagas seriam trocadas de mãos. Altera pouco o perfil dos aprovados”, afirmou Randi.
A universidade também justifica a mudança com a redução de custos operacionais. Com a nova estrutura, será necessário menos aplicadores e corretores, o que deve resultar na diminuição da taxa de inscrição.
Randi reforçou que a mudança também visa beneficiar candidatos de regiões mais distantes, diminuindo os gastos com deslocamento e hospedagem, e evitando conflitos de calendário com outros vestibulares. “Como universidade pública, buscamos um processo mais isonômico, especialmente para quem tem vulnerabilidade social e econômica”, afirmou o diretor.
Além das mudanças na UFPR e UFU, outras universidades também começaram a adaptar seus processos seletivos. A Unicamp, por exemplo, reduziu o número de questões da segunda fase em 2025, enquanto a USP anunciou ajustes em seu vestibular para 2026, com a diminuição no total de questões.
Essas modificações são vistas como uma tentativa de dar mais tempo para os candidatos se concentrarem na elaboração de respostas. A mudança nos formatos de vestibulares reflete um novo perfil dos candidatos e os desafios enfrentados pela educação superior no Brasil.
De acordo com Randi, o perfil dos estudantes tem mudado, com a educação formal perdendo centralidade. Ele observou que há uma tendência internacional de desestímulo ao ensino superior, algo que também é percebido nas sociedades ocidentais, incluindo o Brasil.
A pandemia, que forçou o ensino remoto, agravou essa situação, com muitos alunos chegando à universidade com lacunas em disciplinas essenciais. Em Uberlândia, Moraes observou que muitos candidatos, especialmente os que concluíram o ensino médio de forma remota, apresentam dificuldades de concentração e resistência a provas longas.
“O jovem chega muitas vezes desatento, com ansiedade e dificuldade de manter o foco durante o exame”, destacou o pró-reitor. Diante desse cenário, a UFU passou a adotar estratégias de acolhimento acadêmico para apoiar os estudantes a se adaptarem ao ambiente universitário, com foco em organização e leitura de textos científicos.