
O crescente envolvimento do Pentágono com o proselitismo cristão, liderado pelo Secretário de Defesa Pete Hegseth, está gerando sérias preocupações entre ex-oficiais de alta patente, veteranos e capelães militares.
A promoção pública das crenças religiosas de Hegseth, incluindo serviços evangélicos mensais no Pentágono e postagens em redes sociais, é vista como uma violação preocupante das normas de separação entre religião e política nas forças armadas, afirmam especialistas. A situação é descrita como uma mudança radical na cultura militar dos EUA, diz o Washington Post.
A pressão por parte de Hegseth para expandir seu fanatismo nas forças armadas tem sido alvo de críticas contundentes, com militares acusando o Secretário de Defesa de criar divisões ao invés de promover a união entre os militares.
Essa prática compromete a neutralidade que deve ser garantida nas instituições públicas, incluindo as forças armadas, e levanta questionamentos sobre o papel da religião nas operações militares.
Hegseth, conhecido por seu ativismo cristão, tem organizado cultos evangélicos no Pentágono, nos quais os militares podem participar de forma voluntária. No entanto, há quem defenda que essa prática coloca os membros do serviço sob pressão para se conformar com as crenças do Secretário de Defesa, ameaçando a liberdade religiosa e a diversidade de crenças.
Capelães também expressaram preocupação de que aqueles que não compartilham a visão religiosa de Hegseth estejam sendo marginalizados.
Em um evento recente, Hegseth fez uma declaração polêmica, orando pela “violência avassaladora da ação” contra os inimigos dos Estados Unidos. Tal declaração causou desconforto, pois justifica o uso da força por motivações religiosas, levantando sérias questões sobre o papel da fé nas decisões militares e na administração pública.
Além disso, a decisão de Hegseth de remover o guia de Aptidão Espiritual do Exército, substituindo-o por um foco em um cristianismo alinhado com suas próprias crenças, tem sido amplamente criticada. Segundo o Washington Post, para os opositores, essa mudança compromete os princípios de inclusão e respeito que deveriam reger as forças armadas, favorecendo uma visão religiosa específica.
Especialistas como o ex-coronel do Exército Larry Wilkerson alertam que essas ações violam os princípios fundamentais de imparcialidade e igualdade, que são pilares das forças armadas dos EUA.
Wilkerson argumenta que a separação entre religião e dever militar foi um valor tradicionalmente defendido pelas forças armadas americanas e que a introdução de um proselitismo religioso por Hegseth é um ataque direto a essa tradição.
Pete Hegseth led a Christian worship service at the Pentagon, invoking Psalm 144 to call for divine wrath and violence against perceived enemies.
He asked God to “break the teeth of the ungodly” and sanction “overwhelming violence” against “those who deserve no mercy.” pic.twitter.com/GLRkjstMiv
— Shadow of Ezra (@ShadowofEzra) March 26, 2026
O porta-voz do Pentágono, Kingsley Wilson, defendeu as ações de Hegseth, alegando que os cultos são “100% voluntários” e estão protegidos pela Constituição. No entanto, essa abordagem cria um ambiente hostil para aqueles que não compartilham as crenças do Secretário de Defesa.
Embora a defesa de Hegseth seja vista por alguns como uma tentativa de fortalecer o moral das tropas, a crescente mistura entre fé e dever militar é vista por muitos como um precedente perigoso. A situação tem gerado um clamor por um retorno à política de neutralidade do Pentágono em relação à religião e política.
Esses eventos lembram um episódio histórico nas forças armadas dos EUA, quando, nos anos 1990, a Força Aérea enfrentou investigações e litígios por acusações de intolerância religiosa e proselitismo.
Durante esse período, a academia foi alvo de críticas por permitir que seus oficiais usassem suas posições para promover uma visão cristã específica e por não acomodar as necessidades religiosas de não cristãos, como apontado em um painel investigativo.