
A Apple chega aos 50 anos cercada por um fenômeno raro no mundo corporativo: uma legião de “super fãs” que se comporta como torcida organizada. No Brasil, essa devoção vem acompanhada de histórias constrangedoras envolvendo Steve Jobs. Mesmo com preços entre os mais altos do mundo, a marca mantém um público fiel que não só consome seus produtos, mas também coleciona episódios marcantes, e nem sempre positivos, com o fundador. Com informações do Globo.
Um dos relatos mais emblemáticos é o do cineasta Paulo Machline, que, ainda jovem, participou de uma reunião com Jobs em 1985, em Nova York, sobre uma possível expansão da Apple no Brasil. O encontro, que parecia promissor, terminou de forma abrupta. Após ouvir a proposta, Jobs disparou: “O Brasil não é um país sério (…) eu não tenho o menor interesse em fazer negócio com o Brasil”. A conversa esfriou na hora e a parceria nunca saiu do papel.
A obsessão pela Apple também levou o empresário Breno Masi a ultrapassar limites. Após conseguir destravar o primeiro iPhone no Brasil, ele tentou agradecer pessoalmente ao fundador — mas foi ignorado. “Ele olhou para mim com uma cara de nojo, virou as costas e saiu andando”. Inconformado, Masi chegou a ir até a casa de Jobs nos Estados Unidos e tocar a campainha, sendo advertido a sair imediatamente para evitar problemas.

Nem todos os fãs tiveram experiências tão diretas — ou constrangedoras — com Jobs, mas a devoção segue intensa. O jornalista Sérgio Miranda, por exemplo, transformou a paixão em rotina: já visitou mais de 70 lojas da Apple ao redor do mundo e mantém uma coleção completa de produtos da marca, incluindo todos os modelos de iPod.
Apesar da idolatria, até os fãs mais fervorosos admitem o peso no bolso. O Brasil segue entre os países com o iPhone mais caro do mundo, reforçando um paradoxo: quanto mais caro, mais a Apple sustenta sua imagem “premium”.