
Eduardo Leite só não é um fracassado porque foi socorrido pelas esquerdas em 2022. Era o adversário de Onyx Lorenzoni no segundo turno e não havia outra saída: foi reeleito governador com o voto em massa do PT.
Mas fracassou como adversário de João Doria, na disputa pela indicação do PSDB à presidência. Fracassou como presidente nacional do partido em 2023. E fracassa agora na disputa pela candidatura a presidente pelo PSD.
Leite não foi preterido porque Caiado é o mais forte. Ficou de fora porque é muito fraco. Tão fraco que, nas pesquisas em que aparecia, disputava as últimas posições com gente completamente desconhecida.
No Datafolha de 7 de março, ficava atrás de Zema, Caiado e Ratinho. Tinha 3%, o mesmo índice de Renan Santos, do partido Missão, do MBL de Kim Kataguiri. Ninguém conhece Renan Santos.
Na simulação do segundo turno, ele seria goleado por Lula, muitos atrás dos outros candidatos. Flávio Bolsonaro teria 43%, Ratinho Júnior 41%, Caiado 36% e Leite 34%.
Em pesquisa de segundo turno da Quaest, Leite também aparece como pangaré. Caiado tem 32% dos votos, contra 44% de Lula. Leite teria apenas 26%.
Em quatro anos de exposição nacional, como candidato da Globo, Leite continuou sendo visto como uma figura sem expressão nacional.
Sigo leal ao Brasil.
Hoje, amanhã e sempre. 🇧🇷 pic.twitter.com/tT3mxDs5Je— Eduardo Leite (@EduardoLeite_) March 30, 2026
O ex-tucano achou que poderia repetir o que tentou em 2022: que ele seria o nome de uma terceira via que não existe mais, para quebrar com a polarização lulismo x bolsonarismo.
É uma bobagem. Ninguém acredita que o espaço para essa terceira
via exista. O que Leite tentava era escapar da disputa no Grande do Sul ao Senado, onde pode ficar atrás dos dois candidatos da extrema direita, Marcel Van Hattem e Ubiratan Sanderson.
Leite tem desafios éticos pela frente. Saiu criticando a decisão do partido que o acolheu, quando abandonou o PSDB, não expressou apoio a Caiado, o escolhido por Kassab, e disse que continuará fazendo política.
Leite acredita, para ser original, que “a política é dinâmica e essa jornada continua”. Vai disputar o Senado para ser derrotado? Vai ficar em cima do muro ou, na última hora, vai ser bolsonarista de novo, como foi em 2018?
Eduardo Leite é mais uma excrescência da política, com a diferença do perfil fofo. É, por isso mesmo, por ser um reacionário dissimulado, o mais perigoso de todos.