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PF demite agente condenado a 21 anos por planejar assassinato de Lula e Moraes

Wladimir Matos Soares

A Polícia Federal exonerou nesta segunda-feira (30) o agente Wladimir Matos Soares, condenado a 21 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado. A decisão foi tomada após o trânsito em julgado da sentença, quando não há mais possibilidade de recurso.

Soares integrava o chamado núcleo 3 da trama golpista. Segundo as investigações, ele participou do planejamento de ações contra autoridades e da operacionalização de medidas voltadas ao rompimento institucional.

Entre os alvos citados estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A apuração aponta que havia planejamento de ações violentas contra essas autoridades.

A portaria publicada no Diário Oficial da União determina a “desconstituição do vínculo estatutário” entre a União e Wladimir Matos Soares, formalizando sua exclusão do cargo de agente da Polícia Federal. O ato cumpre decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal nº 2696, que decretou a perda do cargo público após a condenação do réu, encerrando qualquer possibilidade de permanência na corporação.

Portaria da PF para “desconstituir o vínculo estatutário” de Wladimir Matos Soares. Foto: Reprodução

A Polícia Federal também reuniu áudios periciados em que o então agente menciona informações sobre a segurança do presidente. O material indica que dados foram compartilhados com pessoas ligadas ao entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nas gravações, Soares também fez declarações com ameaças direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes. Em outro trecho, afirmou que haveria um grupo armado disposto a prender ministros do STF e utilizar força letal. As ameaças também se estenderam a outros ministros. Soares chegou até a falar que haveria disposição para uso de força letal e “matar meio mundo”.

“O Alexandre de Moraes realmente tinha que ter tido a cabeça cortada quando ele impediu o presidente [Bolsonaro] de colocar um diretor da Polícia Federal, o Alexandre Ramagem. Tinha que ter cortado a cabeça dele era aqui”, afirmou.

O ex-agente está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Durante interrogatório, ele negou as acusações e declarou que participou da segurança de Moraes em 2016, quando o ministro atuava no governo federal.

A condenação fixada pelo Supremo Tribunal Federal inclui 18 anos e seis meses de reclusão, além de dois anos e seis meses de detenção. A decisão também determinou o pagamento de 120 dias-multa, equivalente a salários mínimos à época dos fatos.