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A estratégia de Caiado ao mirar Lula, atacar o PT e tentar se descolar de Flávio Bolsonaro

Ronaldo Caiado, governador de Goiás. Foto: reprodução

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi confirmado na segunda-feira (30) como pré-candidato do PSD à Presidência e lançou sua entrada na disputa com um discurso centrado na promessa de “desativar” a polarização política no país, mesmo sendo um nome histórico da direita brasileira.

Em evento na sede do partido, em São Paulo, o governador de Goiás fez ataques ao PT e ao presidente Lula, acenou ao eleitorado de Jair Bolsonaro (PL) e ainda mirou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome da família na corrida ao Planalto. Ao mesmo tempo em que tenta se vender como alternativa de centro, Caiado sinalizou posições voltadas ao campo da direita e buscou marcar distância do bolsonarismo sem romper com esse eleitorado.

Em seu primeiro discurso como pré-candidato, Caiado disse que pretende enfrentar o ambiente polarizado da política nacional e apresentou a si mesmo como alguém fora desse conflito. “A polarização é sustentada por um projeto político por aqueles que realmente se beneficiam dela. Pode ser desativada? Sim, pode. Por alguém que não é parte dela. É o que pretendo fazer chegando à Presidência”, afirmou.

Em seguida, conforme informações do Globo, reforçou a ideia de confronto eleitoral: “Não entramos no jogo ainda. Vamos para o debate. Bolha foi feita para ser rompida”.

Apesar desse discurso, o governador também fez um aceno explícito a Bolsonaro e aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Caiado afirmou que, se eleito, pretende conceder uma anistia “ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos nos ataques e ao próprio Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.

“Meu objetivo é pacificar o Brasil ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente, dando mostras que a partir dali vou cuidar das pessoas”, declarou. A medida dependeria de aprovação do Congresso, embora o presidente da República também possa recorrer ao indulto.

Na disputa pelo eleitorado da direita, Caiado também lançou críticas a Flávio Bolsonaro ao defender que experiência no Executivo é indispensável para governar o país. “Difícil é governar para o PT não ser mais opção no país. Ganhar não é a maior dificuldade, e vamos ganhar. Mas quem ganhar vai saber governar, ou vai aprender a governar na cadeira?”, questionou.

Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro. Foto: reprodução

Em outro momento, voltou a bater na mesma tecla: “O ímpeto da idade, às vezes, ultrapassa o momento de equilíbrio. E não se governa com decreto, mas dialogando, sentando à mesa. Não se governa com queda de braço. (…) Na democracia tem que se conviver harmonicamente. O que precisa é de experiência. Não cabe a improvisação neste momento”.

Segundo Gilberto Kassab, a escolha de Caiado foi eleitoral. O presidente do PSD afirmou que o governador tem “mais chances” de chegar ao segundo turno e vencer Lula ou Flávio.

O partido tenta posicionar a candidatura como alternativa entre PT e PL, apostando na experiência administrativa de Caiado e em sua força junto ao agronegócio. “O agro era um setor que não era pop, nem era tech, e o Caiado já o defendia desde 1976. Hoje, sem dúvida, é o setor mais competitivo do país, que mostra o que existe de mais moderno e com respeito ao meio ambiente”, disse o governador.

Caiado também rejeitou a imagem de radical e procurou associar sua gestão a temas como segurança, ciência e tecnologia. “Ninguém atinge a aprovação que tenho em Goiás sendo radical. Sou uma pessoa que aprendi a cuidar de vidas. Um homem que acredita na ciência, na pesquisa, no avanço tecnológico”, afirmou. Mesmo assim, aliados reconhecem que ele ainda precisa ampliar a projeção nacional e reduzir resistências, sobretudo no Nordeste, para viabilizar sua candidatura ao Planalto.