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CPI do Crime Organizado convoca bolsonaristas Ibaneis Rocha e Cláudio Castro

Ibaneis Rocha e Cláudio Castro. Foto: reprodução

A CPI do Crime Organizado aprovou nesta terça-feira (31) a convocação dos ex-governador do Rio de Janeiro e do Distrito Federal, Cláudio Castro (PL) e Ibaneis Rocha (MDB), para prestar depoimento ao colegiado. Os dois haviam sido chamados anteriormente como convidados, mas não compareceram às reuniões marcadas em dezembro e fevereiro.

De acordo com a Agência Senado, os dois serão obrigados a falar à comissão, que também avançou em requerimentos ligados às investigações sobre o Banco Master e a infiltração do crime organizado em estruturas do Estado brasileiro.

Segundo o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), Ibaneis deverá esclarecer as negociações envolvendo a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).

O Master foi liquidado pelo Banco Central em 2025 após suspeitas de fraudes no sistema financeiro. No caso de Cláudio Castro, a comissão quer que ele trate da situação do Rio de Janeiro, descrita pelo relator como um estado que “tem sido o laboratório das mais sofisticadas dinâmicas do crime organizado no país”.

Fabiano Contarato, presidente da CPI do Crime Organizado. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O avanço da investigação também alcança o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, Renato Dias de Brito Gomes. Responsável pelo departamento que embasou a decisão de barrar o negócio entre BRB e Banco Master, ele teve a convocação aprovada para depor como testemunha. O Banco Central, além de impedir a operação, comunicou à Polícia Federal e ao Ministério Público suspeitas relacionadas às operações da instituição financeira.

A CPI também discute os impactos de uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os pedidos de quebra de sigilo. O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que as novas exigências impostas para acessar dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) podem comprometer o andamento das investigações.

“[A decisão] cria um filtro administrativo não previsto na legislação. O Coaf pode proceder à verificação da veracidade ou da pertinência temática dos fundamentos apresentados pela comissão. Todas aquelas transferências que já aprovamos agora, sob pena de nulidade, tem que ser revista todas aquelas transferências”, disse Contarato.

A convocação de Castro e Ibaneis só foi possível porque ambos renunciaram aos cargos nos últimos dias para disputar vagas no Senado nas eleições de outubro. O entendimento técnico em vigor era o de que governadores no exercício do mandato não poderiam ser convocados por CPIs. Com a saída dos postos, passaram a ser alcançados formalmente pelo colegiado.

No caso de Castro, Alessandro Vieira afirma que o depoimento poderá oferecer “um panorama macro estratégico inestimável” sobre os gargalos institucionais no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do crime organizado.

Já em relação a Ibaneis, o objetivo é apurar, “sob a perspectiva institucional e administrativa”, as relações comerciais entre o escritório de advocacia fundado por ele e entidades investigadas pela Polícia Federal por suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro.

O escritório ainda teria vendido R$ 85,5 milhões em honorários para fundos ligados ao Banco Master e à gestora Reag, além de ter recebido R$ 25 milhões da J&F após a liberação de um serviço do banco digital do grupo a servidores do GDF.