Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

O ministro do STF que já comprou cannabis e defende “descriminalização geral das drogas”

O ministro do STF Gilmar Mendes. Foto: Divulgação

Em entrevista ao podcast “Cannabis Hoje Pod”, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes revelou que já comprou produtos à base de cannabis em Portugal para aliviar dores e manifestou seu desejo de que o modelo do país europeu seja adotado no Brasil. O ministro descreveu a experiência como positiva e elogiou as lojas portuguesas que vendem produtos à base de cannabis, como cremes e bálsamos. “Fiquei com uma boa impressão”, afirmou.

“Eu já comprei cannabis para atenuar dores, numa loja em Portugal. Na Europa é muito comum lojas que vendem esses produtos, inclusive cremes, como se fosse um bálsamo. Fiquei com uma boa impressão.”, disse o ministro durante a conversa com a jornalista Anita Krepp.

Durante a entrevista, o ministro também comentou sobre o futuro das políticas de drogas no Brasil, afirmando acreditar que o país está caminhando para a descriminalização total das drogas. No entanto, ele reconheceu que, por enquanto, a sociedade brasileira não está pronta para essa mudança.

“Acho que estamos próximos de discutir a descriminalização geral das drogas. Já temos, inclusive no âmbito da ONU, alguns critérios sobre isso. O importante é que nós saibamos que essa decisão [sobre maconha] foi um passo importante, mas é só um passo”, explicou Mendes.

O ministro Gilmar Mendes durante sessão. Foto: Divulgação

Em 2022, o STF definiu parâmetros para diferenciar o porte de maconha para uso pessoal da quantidade considerada tráfico. Ele também criticou a superlotação das prisões brasileiras, especialmente em relação aos presos por pequenas quantidades de drogas.

“Nós vimos toda aquela realidade —um grande número de presos provisórios, inclusive por drogas, sem julgamento, e todo um quadro preocupante de não solução adequada do problema”, afirmou.

O ministro defendeu que é necessário repensar a abordagem atual sobre as drogas no Brasil. “Estamos tentando fazer a redefinição de uma adequada política, marcando uma ruptura com aquela mensagem de guerra total às drogas”, destacou, reiterando a necessidade de uma política mais equilibrada para lidar com o consumo de substâncias no país.