
O presidente da Argentina, Javier Milei, enfrenta uma forte queda de popularidade no país, com pesquisas recentes mostrando que sua imagem positiva oscila entre 38% e 48%, enquanto a rejeição ao seu governo ultrapassa 60%. A crise econômica, agravada por aumentos nos preços dos combustíveis e uma alta taxa de desemprego, tem sido um dos principais fatores dessa crise.
Os escândalos envolvendo membros do governo, como o chefe de Gabinete, Manuel Adorni, também têm contribuído para a deterioração da imagem de Milei. Recentemente, foi revelado que ele viajou com sua esposa em um voo presidencial para Nova York, nos EUA.
Esse episódio, somado a outros problemas envolvendo corrupção e privilégios, tem afetado ainda mais a confiança popular no governo. A situação piorou quando surgiram investigações sobre a participação de Milei em um esquema de promoção da criptomoeda Libra, envolvendo o recebimento de milhões de dólares.
A economia tem sido o principal tema das pesquisas, com a maioria dos argentinos insatisfeitos com a situação do país. Uma pesquisa da Universidade de San Andrés revelou que apenas 33% da população está satisfeita com a situação econômica, uma queda de sete pontos percentuais em comparação com o final do ano passado.
Segundo analistas ouvidos pelo jornal O Globo, esse cenário tem enfraquecido o apoio de Milei, especialmente entre os homens jovens, que anteriormente eram seus principais aliados.

A política de austeridade de Milei, que cortou subsídios para setores da economia, também não agradou à população da capital e da região da Grande Buenos Aires, que sentem diretamente os efeitos da falta de emprego e dos salários baixos. O governo tem sido amplamente responsabilizado pela crise, com 64% dos argentinos culpando-o diretamente pela situação, enquanto apenas 28% acusam os governos anteriores pela situação atual.
Analistas acreditam que, embora o governo de Milei enfrente uma “fraqueza”, a situação ainda não é uma crise terminal. Eles apontam que os escândalos envolvendo Adorni não são o fator decisivo para a imagem de Milei, mas sim a falta de resultados econômicos concretos.
A estratégia de Milei de “assustar” a população com o retorno do kirchnerismo, caso ele não consiga melhorar a economia, é vista como arriscada, especialmente se ele não conseguir resolver os problemas mais urgentes.