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Aniversário do golpe: juiz e advogados homenageiam 1964 durante audiência

O juiz convocado Marcos Salles e os advogados Abraão Beltrão e João Estrela. Foto: reprodução

Uma sessão da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba, realizada nesta terça-feira (31), foi marcada por referências ao 31 de março de 1964, data associada ao início da ditadura militar no Brasil. Durante o julgamento, o juiz convocado Marcos Salles fez menção direta ao período ao se dirigir ao advogado Abraão Beltrão, que participava por videoconferência e havia feito sustentação oral de forma remota.

A fala provocou risadas entre participantes da sessão e foi seguida por nova manifestação de outro advogado em apoio à mesma referência. Ao cumprimentar Beltrão, o magistrado observou a imagem exibida na videoconferência e destacou elementos visuais que, segundo ele, poderiam remeter à data.

“Quero cumprimentar o doutor Abraão Beltrão que, além de se postar ao lado da bandeira, também traja um paletó e uma gravata verde oliva, talvez fazendo referência ao 31 de março”, disse Salles. A declaração foi recebida com risadas de autoridades que acompanhavam a chamada, inclusive do próprio advogado citado, que não negou a associação feita pelo juiz durante a sessão do TJ-PB.

No vídeo abaixo, o momento exato:

Poucos minutos depois, a menção ao período da ditadura voltou a ser reforçada por outro integrante da sessão. O advogado João Estrela afirmou: “Aproveitando o ensejo, quero me acostar ao posicionamento do doutro Abraão Beltrão em favor da revolução de 31 de março. Não estou vestido a caráter, mas me associo a ele”. Abaixo, o vídeo:

A fala ampliou a repercussão do episódio, por ocorrer em um ambiente institucional do Judiciário e por retomar, em tom de concordância, uma referência positiva ao movimento que derrubou o presidente João Goulart e abriu caminho para duas décadas de regime militar no país.

O 31 de março de 1964 marca o início da movimentação militar que resultou na deposição de Goulart. A ruptura institucional se consolidou em 1º de abril, quando o presidente deixou o país e os militares assumiram o poder.

Ainda assim, o 31 de março foi adotado pelos próprios militares como marco simbólico do golpe, numa tentativa de evitar a associação com o Dia da Mentira.