Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

“PowerPoint golpista”: a nova baixa na GloboNews após mentiras sobre o caso Master

O “PowerPoint” golpista da GloboNews. Foto: reprodução

A crise provocada pelo “PowerPoint golpista” exibido no “Estúdio I”, da GloboNews, continua produzindo efeitos nos bastidores da emissora e já resultou em mudanças na equipe do telejornal apresentado por Andréia Sadi. Segundo relatos que circulam internamente, foi formalizada a saída de Rodrigo Caruso do comando de edição do programa.

De acordo com informações do Metrópoles, o editor-chefe deve sair de férias nos próximos dias e, depois, será realocado dentro da empresa. Outra alteração também atingiu a produção: a editora responsável pela arte exibida durante a polêmica foi transferida para o “Conexão GloboNews”.

Nos corredores da emissora, o clima em torno do caso segue tenso. Relatos apontam que a relação entre Caruso e Andréia Sadi já vinha desgastada antes mesmo da repercussão da arte, e que a situação piorou após a exibição do material. O episódio passou a ser tratado internamente como um dos mais delicados da GloboNews nos últimos tempos, tanto pelo impacto editorial quanto pelo desgaste na credibilidade do programa.

Rodrigo Caruso, editor-chefe do “Estúdio I”. Foto: reprodução

A polêmica começou na sexta-feira (20), quando a GloboNews levou ao ar um PowerPoint “explicativo” sobre o escândalo do Banco Master.

A apresentação, com Daniel Vorcaro como figura central, tentava estabelecer conexões políticas em torno do caso, mas omitiu nomes apontados como centrais nas investigações e por destacar figuras ligadas à esquerda e ao governo, como Lula (PT), Guido Mantega e o “PT da Bahia”, sem explicar bem a regionalidade do partido.

O material deixou de citar nomes como Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ibaneis Rocha (MDB-DF), Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central que ignorou alertas sobre a fraude, e outros aliados do centrão, apesar de relações políticas e financeiras apontadas no entorno do escândalo.

Também chamou atenção a omissão do PL, partido descrito no texto como o maior envolvido no caso, além da ausência de menções a Flávio Bolsonaro e a aliados que teriam recebido recursos de Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Vorcaro.

Já nomes como Ciro Nogueira e Gabriel Galípolo foram incluídos de forma considerada distorcida. As críticas se ampliaram ainda mais com a lembrança de que a própria Globo manteve relação pública com Vorcaro, que patrocinou um evento do grupo em Nova York e chamou integrantes da empresa de “amigos”, entre eles Fred Kachar.

Três dias após a exibição, Andréia Sadi leu um pedido de desculpas no ar. “Na última sexta, a gente exibiu aqui uma arte com o objetivo de apresentar as conexões do Vorcaro com políticos e acessos relevantes, como a gente já fez em outras ocasiões. No entanto, o material estava errado, incompleto e também não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações”.

Em seguida, acrescentou que o conteúdo “misturou contatos institucionais com nomes que Vorcaro menciona como tendo relação contratual ou pessoal”. “Diante de um material incompleto e em desacordo com os nossos princípios editoriais, a gente pede desculpas. Está registrado”, prosseguiu.