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“Bombardeiro do juízo final”: B-52, o avião usado pelos EUA contra o Irã

Modelo de bombardeiro B-52. Foto: reprodução

Os Estados Unidos passaram a usar bombardeiros B-52 no espaço aéreo do Irã pela primeira vez desde o início da guerra, em um movimento que eleva o peso militar da ofensiva e sinaliza um novo patamar de pressão sobre Teerã. A informação foi confirmada nesta terça-feira (31) pelo Departamento de Guerra.

Segundo o jornal The New York Times, a entrada desse tipo de aeronave no teatro de operações também indica enfraquecimento das defesas aéreas iranianas, já que o modelo, apesar da enorme capacidade destrutiva, não tem a mesma agilidade de caças e pode ficar mais exposto a sistemas antiaéreos.

O B-52 é tratado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos como uma das plataformas mais letais de sua aviação. Fabricado pela Boeing desde a década de 1950, o bombardeiro foi concebido originalmente para transportar armamento nuclear e se tornou símbolo do poder militar estadunidense durante a Guerra Fria.

Quando surgiu, era descrito como o “bombardeiro do juízo final”, capaz de alcançar a União Soviética sem necessidade de reabastecimento. Mais de 70 anos depois, o modelo continua ativo e é definido como a “espinha dorsal” da Força Aérea do país.

A força do B-52 está principalmente na combinação entre alcance, altitude e volume de armamento. A aeronave pode voar por mais de 14 mil quilômetros sem reabastecer, operar a até 15 mil metros de altitude e carregar até 32 toneladas de bombas, minas e mísseis.

Na versão “H”, por exemplo, consegue transportar até 20 mísseis de cruzeiro. Isso significa que o bombardeiro tem capacidade para atingir alvos a longa distância com grande intensidade, ampliando o poder de fogo de uma ofensiva e permitindo ataques de alta precisão contra estruturas estratégicas.

Militares americanos ao lado de B-52. Foto: Getty Images

Segundo o Pentágono, os B-52 devem ser usados para atacar cadeias de suprimento que abastecem instalações iranianas de produção de mísseis, drones e navios. O objetivo é impedir que o Irã reponha munições e equipamentos usados na guerra.

Embora o modelo tenha capacidade nuclear, não há confirmação de uso desse tipo de ogiva nas operações atuais. Ainda assim, sua presença carrega forte peso simbólico e operacional, porque envolve um dos aviões mais conhecidos e temidos do arsenal dos Estados Unidos.

Ao longo da história, os B-52 participaram de quase todas as grandes campanhas militares dos Estados Unidos, da Guerra do Vietnã às operações após os ataques de 11 de setembro, passando por missões contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Agora, sua utilização contra alvos iranianos sugere que Washington pretende combinar demonstração de força com destruição sistemática da infraestrutura militar do país.

O anúncio foi feito um dia depois de Donald Trump publicar um vídeo mostrando uma grande explosão em Isfahan, supostamente em um depósito de munições. Ainda não se sabe se os B-52 foram usados nessa ação.

Em resposta à escalada, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou atacar empresas estadunidenses no Oriente Médio, incluindo a Boeing, fabricante do bombardeiro. “As principais instituições envolvidas em operações terroristas serão alvos legítimos. Aconselhamos os funcionários a deixarem seus locais de trabalho imediatamente, para a própria segurança”, afirmou a organização.