
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (1º) uma nova fase da Operação Exfil para apurar um esquema de obtenção ilícita de declarações fiscais sigilosas de autoridades públicas e seus familiares.
O alvo da operação é o empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, de 65 anos, filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-vice-governador Luiz Paulo Conde, morto em 2015. Segundo apurações posteriores, Marcelo Conde está foragido no exterior e não foi localizado pela PF durante as diligências.
Marcelo Conde é suspeito de comprar e vazar dados sigilosos de Viviane Barci, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações apontam que o empresário seria o mandante de uma estrutura organizada que acessou indevidamente sistemas da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para obter as informações. O primeiro registro de acesso irregular aos dados da esposa de Moraes foi identificado em agosto de 2025 em uma unidade da Receita no Guarujá (SP).
De acordo com o STF, foram constatados “diversos e múltiplos acessos ilícitos” ao sistema da Receita Federal, seguidos do vazamento das informações. Dados de 1.819 contribuintes teriam sido acessados, incluindo pessoas vinculadas a ministros do Supremo, do Tribunal de Contas da União (TCU), deputados federais, ex-senadores, um ex-governador, dirigentes de agências reguladoras e empresários.
O ministro Alexandre de Moraes expediu um mandado de prisão preventiva contra o empresário e seis mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. As investigações indicam que Conde fornecia listas de CPFs e realizava pagamentos em espécie, no valor de R$ 4.500, para receber as declarações fiscais obtidas de forma ilícita. A transação teria sido intermediada pelo contador Washington Travassos de Azevedo, preso em outra fase da operação.
Em sua decisão, Moraes destacou a necessidade das buscas para a “reconstrução das cadeias de eventos e identificação de outros possíveis envolvidos”. A apreensão de dispositivos eletrônicos é considerada “medida indispensável”, pois comunicações por aplicativos e registros em nuvem podem evidenciar a extensão da atuação do investigado.

A Operação Exfil teve sua primeira fase deflagrada em 17 de fevereiro de 2026, quando quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia contra servidores públicos suspeitos de envolvimento no esquema. Na ocasião, foram impostas medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica, afastamento das funções e proibição de deixar o país.
A defesa de Marcelo Conde, representada pelo advogado Nelio Machado, afirmou que tomou conhecimento das medidas contra o cliente apenas nesta data e que ainda não teve acesso ao teor da decisão judicial.