
As maiores distribuidoras de combustíveis do país decidiram ficar fora da primeira fase do programa de subvenção ao preço do diesel criado pelo governo Lula (PT) para tentar conter os efeitos da guerra no Irã sobre o mercado brasileiro. O prazo de inscrição para receber o benefício referente às vendas de março terminou na terça-feira (31) sem adesão de Vibra, Ipiranga e Raízen, três gigantes do setor que respondem por cerca de metade das importações privadas do combustível no Brasil.
A ausência dessas empresas expõe um problema relevante para a estratégia do governo. O objetivo da subvenção é evitar que a disparada das cotações internacionais seja repassada integralmente ao consumidor, em um momento em que o preço do diesel já acumula alta de 24% nas bombas desde o início da guerra. Sem a entrada de parte importante das distribuidoras e importadoras, porém, o alcance da medida tende a ser menor do que o planejado.
Nos bastidores, segundo a Folha, fontes do setor atribuem a decisão a um conjunto de fatores. Entre eles estão as incertezas nas regras do programa, a percepção de insegurança jurídica e o descontentamento com os preços máximos definidos pelo governo para a venda do diesel importado.
Para ter acesso à subvenção, as empresas precisariam vender o produto a distribuidoras por um valor entre R$ 5,28 e R$ 5,51 por litro, a depender da região. O problema é que, nas semanas de vigência da medida, o diesel importado estava acima de R$ 6 por litro, o que levou parte das companhias a considerar inviável operar dentro dos limites estabelecidos.
Na prática, essas distribuidoras preferiram vender o diesel importado pelo preço internacional, abrindo mão do desconto de R$ 0,32 por litro prometido pelo governo. A Petrobras, que lidera o abastecimento nacional e respondeu por 77% das vendas em 2025, aderiu ao programa.

Já outras importadoras e distribuidoras de médio porte, como Royal FIC, Sul Plata Trading, Petro Energia e Midas, também decidiram participar. Ainda assim, a ausência das maiores companhias privadas pesa sobre a eficácia da política.
Há também empresas independentes que ficaram de fora. É o caso da Nimofast. Segundo Ramon Reis, sócio da companhia, “O preço importado estava muito alto e o preço de referência [para receber o subsídio], muito baixo”. O relato resume a avaliação de parte do mercado de que os parâmetros definidos pelo governo não acompanharam a realidade do custo de importação.
Além dos valores, o setor reclama da demora na divulgação das regras. A fórmula de reajuste dos preços máximos só foi publicada na última sexta-feira (27), apenas dois dias úteis antes do fim do prazo de adesão.
Isso ampliou a percepção de improviso. Também há dúvidas sobre a forma de pagamento da subvenção, em um contexto no qual distribuidoras ainda tentam recuperar na Justiça valores que consideram devidos pelo governo desde a subvenção de 2018.
O governo agora negocia com os estados uma ampliação do programa, com subvenção adicional de R$ 1,20 por litro de diesel importado. A expectativa é que um desconto maior torne a medida mais atraente na segunda fase, que segue até o fim de abril.