
O desembarque no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, tem se transformado em uma experiência de tensão para passageiros que chegam à cidade, sobretudo na área de chegadas internacionais. Em vez de encontrar um caminho rápido e organizado até a saída do terminal, viajantes relatam uma sequência de abordagens insistentes e, em muitos casos, intimidatórias, com ofertas de táxi, carros de aplicativo fora das plataformas, limpeza de calçados, chips de celular, passeios e até câmbio de moedas.
O cenário foi descrito em reportagem do Globo como uma espécie de “corredor de assédio” para quem apenas tenta deixar o aeroporto em paz. A rotina observada no terminal revela um ambiente de desordem logo após a área restrita. Primeiro, os passageiros passam por uma zona cercada por representantes de cooperativas de táxi credenciadas.
Depois desse ponto, no entanto, começam as abordagens de pessoas sem identificação clara, algumas usando apenas camisetas amarelas com a palavra “táxi”, sem menção a cooperativas, enquanto outras oferecem corridas por fora dos aplicativos.
Mesmo quando a resposta é negativa, muitos insistem, seguem os passageiros e prometem preços semelhantes aos cobrados oficialmente, sem qualquer garantia. Em alguns casos, os usuários são levados até a área de embarque, onde funcionariam os veículos que atuam no paralelo.

Turistas estrangeiros aparecem entre os principais alvos desse assédio. Segundo o relato, uma turista asiática foi abordada por um dos vendedores assim que procurava alguém que falasse inglês e acabou sendo conduzida em direção à escada rolante para a área de embarque. Pouco depois, retornou e precisou desviar de novas abordagens antes de buscar ajuda no balcão de informações.
Em outro episódio, um turista que recusou uma oferta de carro ouviu como resposta: “Seu babaca. Viadinho!”.
Já a advogada Mariana Bogado, de 46 anos, que estava com a mãe de 73, reagiu ao ser intimidada: “Isso é assédio!”. Depois, relatou: “Já cheguei a ser abordada por seis homens ao mesmo tempo num percurso mínimo. Eles têm a audácia de perguntar para onde você vai. Desta vez, eu disse que não tinha que dar satisfações da minha vida. Meu sangue ferveu quando ele falou: ‘Vai com Deus’, em tom de deboche e continuou falando por trás de nós duas. Eu disse que iria chamar a polícia. É um corredor de assédio para quem só quer deixar o aeroporto em paz. Eles enrolam turistas. Já vi cobrarem US$ 300 (mais de R$ 1,5 mil) daqui para Copacabana. Isso tem que acabar”.
Outro foco de incômodo vem dos limpadores de tênis, que se aproximam com perguntas e, em muitos casos, chegam a começar a escovar o calçado mesmo após a recusa do passageiro. Um turista estrangeiro contou ter sido xingado por um deles. “Eu estava tentando fazer uma ligação, e ele me interrompeu bruscamente. Pedi que se afastasse, porque eu estava ocupado. E, então, ele me xingou. Eu não sou contra esse tipo de serviço, mas precisa haver um mínimo de respeito. Também não sou contra mantê-los dentro do aeroporto, desde que sejam treinados, identificados e registrados”, afirmou.
A reportagem também registrou discussões entre trabalhadores por disputa de clientes e ações de câmbio ilegal feitas discretamente no saguão, diante da circulação de agentes públicos e da segurança privada.