
O cineasta Kleber Mendonça Filho, diretor de filmes como o premiado “O Agente Secreto”, “Aquarius” e “Bacurau”, ironizou a GloboNews citando o “PowerPoint golpista” em sua conta no X nesta quinta-feira (2).
Na publicação, Mendonça Filho escreveu que “se a GloboNews fizesse uma autocrítica completa do ‘desastre do PowerPoint’ e corrigisse o gráfico com os verdadeiros associados ao banqueiro, eu cogitaria voltar a ser assinante”.
A polêmica começou na sexta-feira (20), quando a GloboNews levou ao ar um PowerPoint “explicativo” sobre o escândalo do Banco Master.
A apresentação, com Daniel Vorcaro como figura central, tentava estabelecer conexões políticas em torno do caso, mas omitiu nomes apontados como centrais nas investigações e por destacar figuras ligadas à esquerda e ao governo, como Lula (PT), Guido Mantega e o “PT da Bahia”, sem explicar bem a regionalidade do partido.
Se a @GloboNews – com profissionais que eu respeito – fizesse uma autocrítica completa do desastre do power point e corrigisse o gráfico com os verdadeiros associados ao banqueiro, eu cogitaria voltar a ser assinante.
— Kleber Mendonça Filho (@kmendoncafilho) April 2, 2026
O material deixou de citar nomes como Jair Bolsonaro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ibaneis Rocha (MDB-DF), Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central que ignorou alertas sobre a fraude, e outros aliados do centrão, apesar de relações políticas e financeiras apontadas no entorno do escândalo.
Também chamou atenção a omissão do PL, partido descrito no texto como o maior envolvido no caso, além da ausência de menções a Flávio Bolsonaro e a aliados que teriam recebido recursos de Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Vorcaro.
Já nomes como Ciro Nogueira e Gabriel Galípolo foram incluídos de forma considerada distorcida. As críticas se ampliaram ainda mais com a lembrança de que a própria Globo manteve relação pública com Vorcaro, que patrocinou um evento do grupo em Nova York e chamou integrantes da empresa de “amigos”, entre eles Fred Kachar.
Três dias após a exibição, Andréia Sadi leu um pedido de desculpas no ar. “Na última sexta, a gente exibiu aqui uma arte com o objetivo de apresentar as conexões do Vorcaro com políticos e acessos relevantes, como a gente já fez em outras ocasiões. No entanto, o material estava errado, incompleto e também não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações”.
Em seguida, acrescentou que o conteúdo “misturou contatos institucionais com nomes que Vorcaro menciona como tendo relação contratual ou pessoal”. “Diante de um material incompleto e em desacordo com os nossos princípios editoriais, a gente pede desculpas. Está registrado”, prosseguiu.