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Deputado do MBL é acusado de coagir ex-companheira a abortar

O deputado Guto Zacarias é ligado ao MBL | Crédito: Alesp

Por Caroline Oliveira. no Brasil de Fato

O deputado estadual Guto Zacarias (Missão) teria coagido a sua ex-companheira de 22 anos a realizar um aborto no primeiro semestre de 2024. A informação consta em uma denúncia, oferecida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), no dia 17 de julho de 2025, contra o parlamentar por violência psicológica contra a mulher no âmbito da Lei Maria da Penha.

O Brasil de Fato teve acesso ao processo, que corre em segredo de Justiça, e também ao Boletim de Ocorrência protocolado pela ex-companheira no dia 12 de fevereiro de 2025, denunciando-o por violência psicológica.

De acordo com a denúncia, o deputado, que teve uma relação amorosa com a vítima entre 2021 e abril de 2024, teria, inclusive, sugerido clínicas clandestinas para a jovem realizar o aborto. Zacarias é pré-candidato a deputado federal por São Paulo e faz uso de um discurso conservador em suas plataformas. Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), ele já foi vice-líder do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Na denúncia, o Ministério Público afirma que Zacarias teria tentado controlar as ações da jovem por meio de “manipulação, chantagem emocional e constrangimentos reiterados, inclusive durante o estado gestacional da vítima”.

Trechos da denúncia apontam que a ex-companheira de Zacarias passou a enfrentar crises durante a gestação após as ameaças do denunciado. Segundo o documento, “a vítima sofreu com episódios de pânico, insônia, sensação de perseguição e medo constante de que o denunciado pudesse invadir sua residência para forçá-la a interromper a gestação”. O texto também afirma que “a violência psicológica praticada por AUGUSTO foi constante e devastadora”, e que a mulher vivia sob tensão. De acordo com a denúncia, o acusado teria atuado para intimidar e controlar a vítima, provocando abalo emocional.
Guto Zacarias e Tarcísio de Freitas. Foto: reprodução

Em um dos depoimentos à polícia, a vítima chega a afirmar que Zacarias teria sugerido, além de clínicas, outros caminhos para realizar o aborto. “Durante toda a gestação, [houve] essas conversas dele tentando me convencer a não ter [o bebê], a interromper a gravidez”, disse a vítima. “Ele sugeriu que eu tomasse um comprimido e ai eu fiquei com muito medo porque eu falei ‘eu não vou tomar nenhum comprimido’ porque acho que eu não queria.” Em outro momento, Zacarias teria sugerido o método de “sucção”.

Ao registrar o Boletim de Ocorrência, a vítima pediu medidas protetivas. Ela relata que, durante a gravidez, passou a temer pela própria vida diante de ameaças frequentes. Em alguns momentos, acordava durante a madrugada com medo de que ele invadisse a casa. O documento ainda indica que houve abandono financeiro durante a gestação, sem apoio à vítima e ao bebê que nasceu no início do ano passado. Diante das ameaças, da pressão psicológica e da ausência de suporte, a vítima solicitou medidas protetivas de urgência por temer por sua integridade e pela segurança da filha.

O Brasil de Fato solicitou um posicionamento sobre o assunto ao deputado e aguarda um retorno.