
O Programa Pé-de-Meia completou dois anos em 2026 e, desde sua criação, ajudou a reduzir o abandono escolar no ensino médio público em 43%. Os dados, apresentados nesta quarta-feira (1º) pelo ministro da Educação, Camilo Santana, e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mostram que a taxa de evasão caiu de 6,4% (em 2022) para 3,6% (em 2025) — uma queda de quase metade. O anúncio ocorreu durante a inauguração da primeira fase das obras do campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará, em Fortaleza.
O impacto positivo não para por aí. O MEC também registrou queda de 33% na reprovação escolar e redução de 27,5% no atraso escolar (distorção idade-série) no mesmo período. A melhora é ainda mais expressiva no terceiro ano do ensino médio, onde a distorção idade-série caiu 63%. O Pé-de-Meia já beneficiou 5,6 milhões de estudantes, o que corresponde a mais da metade (54%) do total de alunos do ensino médio público do país. O investimento total do governo federal na iniciativa foi de R$ 18,6 bilhões nos anos letivos de 2024 e 2025.
Pesquisa do Centro de Evidências da Educação Integral (parceria entre Insper, Instituto Sonho Grande e Instituto Natura) estima que o Pé-de-Meia impede a evasão escolar de um em cada quatro jovens de famílias vulneráveis que deixariam o ensino médio. A taxa de evasão composta das três séries entre estudantes vulneráveis é de 26,4% sem o programa. Com o Pé-de-Meia, caiu para 19,9% — redução de 6,5 pontos percentuais na média nacional.
O mesmo estudo, publicado em março de 2026, revela que o impacto varia conforme a região. O Ceará apresentou a maior redução (10 pontos percentuais), enquanto o Paraná registrou o menor impacto (4,4 pontos percentuais). Os pesquisadores apontam que o programa não reduz as desigualdades regionais nas taxas de evasão — estados que já tinham índices mais altos antes do Pé-de-Meia não necessariamente experimentam as maiores reduções depois. Apesar disso, todas as 27 unidades da federação superam o impacto mínimo de 2,5 pontos percentuais necessário para uma relação favorável entre custo e benefício.
Funcionando como uma poupança, o programa concede incentivos financeiros a estudantes de baixa renda da rede pública inscritos no Cadastro Único (CadÚnico). O estudante recebe R$ 200 pela matrícula, até nove parcelas mensais de R$ 200 condicionadas à frequência, R$ 200 pela participação no Enem (apenas para concluintes) e R$ 1.000 por ano aprovado — este último depositado em poupança e liberado apenas após a conclusão do ensino médio. Somando todos os incentivos, os depósitos anuais e o adicional do Enem, o valor pode chegar a R$ 9,2 mil por aluno.
O presidente Lula reforçou o compromisso do governo com a educação durante a cerimônia. “A educação é o melhor investimento que um país pode fazer para melhorar as perspectivas de seu povo. No Pé-de-Meia, o nosso investimento até agora foi de R$ 18,6 bilhões”, afirmou. Camilo Santana destacou que, antes do programa, a evasão escolar no ensino médio era de 500 mil estudantes por ano. O ministro da Educação deixará o cargo até sábado (4) para concorrer nas eleições de outubro.
Veja o evento de inauguração do ITA na integra abaixo: