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Leão, 1º papa dos EUA, sobe o tom contra Trump e faz apelo pelo fim da guerra contra o Irã

Papa Leão XIV celebra a missa de Domingo de Ramos na Praça de São Pedro, no Vaticano. Foto: Catholicpressphoto

O papa Leão XIV, primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, evitou durante cerca de dez meses de pontificado comentar publicamente sobre seu país de origem e citar diretamente o presidente Donald Trump. Esse cenário mudou nesta semana, em meio à escalada da guerra contra o Irã, quando o líder da Igreja Católica fez um apelo direto ao presidente estadunidense para que busque uma saída para o conflito e ajude a conter a violência.

Em declaração recente, o papa afirmou: “Soube que o presidente Trump declarou recentemente que gostaria de pôr fim à guerra. Espero que ele esteja buscando uma saída. Espero que ele esteja buscando uma maneira de diminuir a violência e os bombardeios, o que seria uma contribuição significativa para eliminar o ódio que está sendo gerado e que aumenta constantemente no Oriente Médio e em outros lugares.”

O pontífice também direcionou a mensagem a outros líderes mundiais, defendendo negociações. “Voltem à mesa de negociações, dialoguem. Busquemos soluções para os problemas, busquemos maneiras de reduzir a violência que estamos promovendo, para que a paz, especialmente na Páscoa, reine em nossos corações”, declarou.

Antes do apelo direto, Leão já havia feito críticas públicas à guerra nas semanas anteriores. Em 13 de março, afirmou que líderes políticos cristãos que iniciam conflitos deveriam se confessar e avaliar suas ações. Em 23 de março, declarou que ataques aéreos são indiscriminados e deveriam ser proibidos.

Durante a celebração do Domingo de Ramos, o papa afirmou que Deus rejeita as orações de líderes que iniciam guerras com “mãos cheias de sangue”. “Este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”, disse. “Jesus não ouve as orações dos que fazem guerra. Mas as rejeita”.

O pontífice mencionou o impacto dos conflitos sobre civis e afirmou que o mundo chega à Semana Santa com “muito sofrimento” e “muitas mortes”, incluindo crianças. “Vivam estes dias reconhecendo que Cristo continua crucificado hoje, Cristo continua sofrendo hoje nos inocentes”, afirmou.

As declarações geraram resposta da Casa Branca. A porta-voz Karoline Leavitt afirmou que não vê problema em líderes convocarem orações pelos militares. Nos Estados Unidos, autoridades também utilizaram linguagem religiosa para justificar ataques conjuntos com Israel contra o Irã no final de fevereiro.

No Vaticano, aliados do papa indicam que a fala segue a tradição de pontífices que pedem o afastamento de guerras, mas ganha peso adicional por partir de um papa nascido nos Estados Unidos e ser dirigida diretamente a Trump. O cardeal Blase Cupich afirmou que a mensagem é transmitida em linguagem acessível ao público de língua inglesa. Já o cardeal Michael Czerny disse que a fala do papa é voltada ao “bem comum” e às populações mais vulneráveis.

Além das declarações públicas, Leão também realizou mudanças na liderança da Igreja Católica nos Estados Unidos em dezembro, incluindo a substituição do cardeal Timothy Dolan no comando da arquidiocese de Nova York pelo arcebispo Ronald Hicks. No Vaticano, ele iniciou uma série de eventos que antecedem a Páscoa, quando deve fazer nova mensagem pública com alcance internacional.