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Influenciadora argentina racista é recebida como “heroína” por senadora aliada de Milei 

A advogada e influenciadora argentina Agostina Páez e a a senadora Patricia Bullrich. Foto: Dviulgação

A advogada e influenciadora argentina Agostina Páez levou dois meses para pedir desculpas após protagonizar um episódio de racismo em um bar de Ipanema, no Rio de Janeiro. Mas precisou de apenas algumas horas para se reunir com a senadora Patricia Bullrich, que a recebeu como uma “heroína” em seu retorno à Argentina.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Bullrich aparece ao lado de Páez em um café no bairro de Recoleta, em Buenos Aires, e afirma: “Você viveu uma experiência que vai te fortalecer na vida.”

Prisão no Brasil e pedido de desculpas

Páez, de 29 anos, deixou o Brasil após passar dois meses em prisão preventiva. Ela foi acusada de injúria racial após gritar e fazer gestos racistas em público

Para conseguir a liberdade, a argentina:

  • reconheceu o crime
  • pediu desculpas às vítimas e à sociedade
  • afirmou que agiu por “ignorância” sobre o racismo

A Justiça brasileira autorizou sua saída mediante o pagamento de uma fiança de cerca de US$ 18.500 (equivalente a 60 salários mínimos), além da exigência de manter seus dados atualizados.

Críticas ao Judiciário brasileiro

No mesmo vídeo, Bullrich criticou duramente a atuação da Justiça do Brasil, alegando que o juiz responsável pelo caso “fez tudo errado” e demonstrando desaprovação pelo uso de tornozeleira eletrônica durante a detenção.

A libertação de Páez foi conduzida pela advogada Carla Junqueira, conhecida por atuar no caso de Thelma Fardin contra Juan Darthés.

Exploração política do caso

Bullrich tentou capitalizar politicamente o retorno da influenciadora, destacando também a atuação do vice-cônsul argentino no Rio de Janeiro, Maximiliano Alaniz Rodríguez.

Nas redes, a senadora escreveu: “Apesar de algumas mãos sujas e interessadas, ela voltou. Hoje só importa que está aqui.”

Possível condenação

O caso ainda não está encerrado. A Justiça brasileira pode concluir o processo em cerca de 15 dias, com:

  • pena mínima de 2 anos de prisão por injúria racial
  • possibilidade de substituição por medidas alternativas, como:
  • trabalhos comunitários
  • cursos sobre direitos humanos

A decisão final dependerá da homologação de um acordo judicial, após a confissão da acusada.

O episódio, além de gerar indignação no Brasil, agora ganha contornos políticos na Argentina — ampliando a repercussão de um caso que mistura racismo, Justiça e oportunismo eleitoral.