
A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva decidiu permanecer na Rede Sustentabilidade e será candidata nas eleições deste ano. A federação formada pelo partido com o PSOL manifestou preferência para que ela dispute uma das vagas ao Senado por São Paulo. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (3), último dia da janela partidária, após reunião com integrantes da federação. O presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, disse à Folha que Marina é o nome que será defendido ao Senado junto aos demais partidos.
Marina trava disputa interna com a ala ligada à deputada federal Heloísa Helena (RJ), que hoje comanda a sigla. Embora tenha admitido ter recebido convites para se filiar a partidos como PT, PV, PSOL e PSB, ela já sinalizava que poderia permanecer na legenda que ajudou a fundar. A decisão ocorre em meio à debandada de diversos quadros da Rede no último mês.
Na reunião, os partidos manifestaram preferência por lançar Marina ao Senado ao lado de Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, na chapa que terá o petista Fernando Haddad concorrendo ao governo de São Paulo. Ainda há um impasse sobre a ocupação da segunda vaga, já que o ex-ministro Márcio França (PSB) também decidiu deixar o governo para disputar o Senado.

A federação PSOL-Rede avalia que Marina precisa estar no palanque paulista de qualquer forma, mas não descarta lançá-la novamente a deputada federal, como em 2022, quando foi eleita com 237,5 mil votos. Enquanto isso, o presidente Lula já manifestou que deseja Marina e Tebet disputando as vagas, o que coloca França em rota de colisão com a chapa governista.
Marina deixou o Ministério do Meio Ambiente na quarta-feira (1º) com índices de desmatamento da Amazônia em queda e políticas de combate a crimes ambientais ampliadas. Sob seu comando, a pasta registrou queda recorde de 58% no desmatamento, segundo balanço divulgado. No entanto, sua gestão também sofreu reveses, como a autorização para exploração de petróleo na bacia Foz do Amazonas e a aprovação de leis que flexibilizam a proteção ambiental, apelidadas de “pacote da destruição”.
Pesquisa Atlas/Estadão divulgada em 31 de março mostrou empate técnico entre os principais candidatos ao Senado por São Paulo, com Marina Silva (Rede) aparecendo com 19,6% das intenções de voto, atrás de Simone Tebet (22,6%) e do deputado Guilherme Derrite (PP), com 22%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.