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O ex-policial e publicitário por trás da campanha de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro e Marcello Lopes. Foto: reprodução

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência vem sendo estruturada com apoio de um nome pouco conhecido do grande público, mas descrito nos bastidores como peça central na engrenagem política do senador. Trata-se de Marcello Lopes, chamado por aliados de “Marcelão”, amigo próximo e conselheiro de confiança do senador. Reservado e avesso aos holofotes, ele aparece como um dos personagens mais influentes na montagem da campanha de Flávio, segundo relatos de interlocutores do entorno bolsonarista.

Dono da Cálix Propaganda, Marcello Lopes acaba de conquistar parte da conta da Secretaria de Comunicação do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), movimento que, segundo Lauro Jardim, do Globo, amplia seu peso político e empresarial.

Ex-policial civil, ele reúne características valorizadas dentro do universo bolsonarista e, segundo um assessor de Flávio Bolsonaro, é “um cara que está mandando muito”. A expressão ajuda a traduzir o tamanho da influência que Marcelão teria alcançado no núcleo da pré-campanha presidencial do senador do PL.

A trajetória de Marcello Lopes também inclui um episódio que chama atenção pela controvérsia política. Em 2024, ele foi homenageado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) com a Medalha Tiradentes, concedida “pelos relevantes serviços prestados à população do Rio”.

O autor da homenagem foi o ex-deputado TH Joias, posteriormente acusado de ligação com o Comando Vermelho e hoje preso no sistema federal, em Brasília. O episódio adiciona um elemento delicado ao histórico de um articulador que, embora discreto, passou a circular com mais peso no entorno do bolsonarismo.

O ex-deputado TH Joias. Foto: reprodução

Em paralelo a essa articulação, viagens de Flávio Bolsonaro em jatinhos privados durante 2025 também passaram a chamar atenção. Registros do terminal executivo do Aeroporto de Brasília mostram que, na noite de 30 de abril, o senador entrou no local acompanhado da esposa às 23h37.

No mesmo horário, também foi registrada a entrada do advogado Willer Tomaz. Pouco depois, à 0h26 do dia 1º de maio, uma aeronave executiva de longo alcance decolou rumo à Flórida. O avião está em nome de uma empresa ligada à União Química, laboratório farmacêutico de São Paulo. O escritório de Willer Tomaz já atuou em processos envolvendo a companhia.

Outro registro indica que, em 1º de abril de 2025, Flávio embarcou com a esposa e as duas filhas em voo com destino ao Rio de Janeiro. Nesse caso, a aeronave pertencia a uma empresa vinculada a Willer Tomaz, um jato Cessna 550 Bravo com capacidade para oito passageiros.

Há ainda outras três entradas do senador no terminal para voos privados sem destino identificado. Tomaz é figura conhecida nos bastidores de Brasília, com trânsito por diferentes grupos políticos. Aproximou-se de Flávio durante o governo Jair Bolsonaro, mantém sociedade com o ex-procurador Eugênio Aragão e já chegou a ser preso após delação de Joesley Batista, embora a denúncia tenha sido rejeitada por falta de provas.