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Neymar é um dos modelos exemplares do macho bolsonarista. Por Moisés Mendes

Neymar em festa de luxo. Foto: reprodução

Neymar é um sujeito repulsivo no contexto do machismo bolsonarista que deprecia as mulheres, os gays, as pessoas trans, os negros, os indígenas e todos os que ainda definimos como diferentes.

Mas ainda há uma certa dificuldade, inclusive entre o pessoal da ciência, em conectar em suas pesquisas essa misoginia normalizada à extrema direita que a sustenta e que também dá lastro à transfobia e à homofobia.

Neymar fala para pelo menos um terço do Brasil da base bolsonarista, que vê a mulher como a figura bíblica ajudadora do homem.

O que essa depreciação acaba acionando é mais do que misoginia retórica, é também crueldade, ódio, violência e feminicídio. Esses apitos de cachorro são ouvidos todos os dias em algum lugar.

Levar Neymar para a Copa é levar tudo que ele não representa como atleta, mas o que expressa de um Brasil machista e fascista que um dia esteve no poder e se articula para nos aterrorizar de novo.

Vamos deixar de ver Neymar apenas como um idiota metido a engraçadinho. Ele é a cara dos machos bolsonaristas ‘politizados’, com método em tudo que fazem e dizem, em todas as áreas em que atuam.

Ele é um dos tipos exemplares do bolsonarismo. São muitos os modelos, na política, no futebol, entre atores da Globo, nas igrejas, na área policial, no meio sertanejo. Ele é apenas um deles. Por isso seu caso é muito mais do que idiotia.

Flávio, Neymar e Jair Bolsonaro. Foto: reprodução

CUIDADOSOS

A pergunta que não tem resposta é: por que abordagens de pesquisadores sobre os machos analógico e da machosfera, que são os mesmos com variações, se negam a vincular esse brasileiro cada vez mais sem freios e violento ao bolsonarismo?

Por que as abordagens quase sempre falam de referências do tempo de Cristo, para explicar esse homem violento (e sempre da falta de educação e de base familiar) e não tratam do machismo como parte essencial do bolsonarismo?

Ah, mas tem gente de esquerda também. Tem. Mas esse argumento é raso e um despiste que procura livrar a cara do fascismo pela abordagem de exceções.

O machismo de tipos como Neymar está na raiz do fenômeno político do bolsonarismo. Neymar é autorizado a pensar assim porque é bolsonarista.