
A possível filiação da senadora Kátia Abreu ao PT provocou reação imediata de um grupo de filiados, que formalizou recurso à Comissão Executiva Nacional pedindo a impugnação da entrada da ex-ministra na legenda.
No documento, os signatários afirmam que a trajetória política de Kátia Abreu é incompatível com os princípios históricos do partido. Eles destacam o papel da senadora como liderança da bancada ruralista e sua ligação com grandes proprietários de terra e o agronegócio.
Segundo o texto, Kátia Abreu teria se posicionado reiteradamente contra pautas centrais da esquerda, como a reforma agrária e a organização de trabalhadores rurais. Os filiados também lembram que a senadora atuou pela derrubada da CPMF em 2007, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que, segundo eles, prejudicou a gestão petista à época.
Outro ponto levantado é o histórico político da senadora no Tocantins. De acordo com o recurso, Kátia Abreu teria apoiado candidatos de direita em disputas estaduais, em oposição aos nomes do PT.
🚨URGENTE: Kátia Abreu se filia ao PT e declara apoio à reeleição de Lula
A ex-senadora Kátia Abreu oficializou sua entrada no Partido dos Trabalhadores e afirmou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento reposiciona a ex-ministra no cenário político e… pic.twitter.com/D0ET7rrt2n
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) April 4, 2026
O documento ainda afirma que a parlamentar nunca participou ou apoiou mobilizações populares, como greves e ocupações, e critica a ausência de autocrítica sobre posições consideradas contrárias à classe trabalhadora.
Além das divergências ideológicas, os filiados questionam o processo formal de filiação. Eles alegam que nem o Diretório Estadual nem a Comissão Executiva Estadual do PT no Tocantins se reuniram para deliberar sobre a entrada da senadora, como prevê o estatuto partidário para lideranças de destaque com mandato.
Para os autores do recurso, a eventual filiação também contraria o artigo primeiro do estatuto do PT, que define o partido como uma organização voltada à luta contra a desigualdade, a exploração e a opressão, com horizonte no socialismo democrático.
Em tom duro, o documento afirma que “o PT não é o partido do latifúndio, do trabalho escravo e nem da burguesia”, reforçando a defesa de uma identidade vinculada à classe trabalhadora e às pautas históricas da legenda.
Assinam o recurso Fabiano Kenji Nohama, Heloísa Lias da Silva, Hílton Faria da Silva, Jozafá Ribeiro Maciel, Maria da Penha da Silva e Thassio Fontes.
A direção nacional do PT ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido.