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Eleições: Tarcísio e Haddad apostam em propostas para entregadores e motoboys

Motociclistas entregadores de apps no Bixiga, bairro paulistano na Zona Central. Foto: Edilson Dantas/2-2-2026

A disputa eleitoral de 2026 já começa a ganhar contornos específicos, com os pré-candidatos Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) buscando conquistar o voto de uma das categorias mais emergentes: os motoboys.

Após o “efeito Marçal” nas eleições municipais de 2024, que mobilizou entregadores e motociclistas, os dois políticos têm investido em propostas direcionadas ao setor. Tarcísio, atual governador de São Paulo, tem se concentrado em medidas como a isenção do IPVA para motos de até 180 cilindradas e a oferta de cursos de capacitação gratuitos para motofretistas e mototaxistas. As informações são do Globo.

Tarcísio sancionou em dezembro de 2025 uma medida que isenta o IPVA para motos usadas por entregadores e mototaxistas, além de anunciar o pacote “Mão na roda”, que inclui a isenção de custos para a emissão de CNH Digital. No entanto, a iniciativa gerou controvérsias, com protestos de motociclistas contra a obrigatoriedade do curso de capacitação no trânsito, imposto anteriormente pelo governo estadual. Após pressões, Tarcísio suspendeu punições e anunciou a isenção de cursos e exames de capacitação.

Por outro lado, Fernando Haddad, que deixou o Ministério da Fazenda para se lançar como candidato ao governo de São Paulo, tem procurado reforçar as medidas voltadas para a categoria de entregadores a nível federal, com a regulamentação do trabalho dos motoboys em discussão. O governo federal já havia avançado na criação de pontos de apoio para os entregadores, com banheiros e bebedouros, e agora debate a fixação de uma taxa mínima de R$ 10 por entrega, além de um adicional por quilômetro rodado. No entanto, a proposta enfrenta resistência tanto entre os entregadores quanto entre as plataformas de aplicativo e o setor empresarial.

Motoboys durante mobilização em São Paulo, em julho de 2022
Foto: Reprodução

O debate sobre a regulamentação do trabalho dos entregadores tem sido um tema polêmico, sendo criticado por líderes do setor que apontam a falta de diálogo com as categorias. Gilberto Almeida dos Santos, presidente do Sindimoto-SP, fez duras críticas tanto ao governo federal quanto à gestão de Tarcísio, afirmando que ambos erraram ao escolher o período eleitoral para discutir um tema complexo como esse. Santos defende que o tema merecia uma discussão mais ampla, fora do contexto eleitoral, e critica a falta de um plano concreto para a regulamentação.

Em 2024, durante a eleição para a Prefeitura de São Paulo, o discurso de Pablo Marçal sobre empreendedorismo e prosperidade atraiu muitos entregadores e motoristas de aplicativo, refletindo nas campanhas de outros candidatos, como Guilherme Boulos (PSOL). Nesse cenário, as propostas para motoboys passaram a ser um tema prioritário na política local, tanto para o governo estadual quanto para a prefeitura.

À medida que as eleições de 2026 se aproximam, Tarcísio e Haddad buscam consolidar suas propostas para os motoboys, com ambos os candidatos tentando garantir um apoio crucial de um segmento que tem se mostrado cada vez mais relevante nas eleições municipais e estaduais. A regulamentação, no entanto, continua sendo um tema de difícil conciliação, com diversos interesses conflitantes na mesa.