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Trump admite envio de armas a manifestantes no Irã e reclama que “curdos as tomaram”

Manifestantes em Teerã: armados pelos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo americano enviou armamentos a manifestantes no Irã durante os protestos recentes no país, mas disse acreditar que essas armas acabaram nas mãos de grupos curdos.

A declaração foi dada em uma entrevista por telefone com Trey Yingst, da Fox, na manhã de domingo (5) e é a primeira admissão direta de envolvimento dos EUA na tentativa de influenciar os atos contra o regime iraniano.

Os protestos começaram no início do ano e foram reprimidos pelo governo iraniano após semanas de mobilização. Trey Yingst resumiu a fala do presidente: “Nós enviamos muitas armas. Enviamos através dos curdos, e o presidente acha que os curdos ficaram com elas” .

No mesmo dia, Trump voltou a elevar o tom ao tratar da guerra e fez uma ameaça direta ao país caso não haja concessões. Em publicação nas redes sociais, escreveu: “Abram a p*** do Estreito, seus bastardos malucos, ou vocês vão viver no inferno”, referindo-se ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo.

Em entrevistas concedidas a diferentes veículos, o presidente reforçou que não há limites claros para a ação militar americana. Ao ser questionado sobre a possibilidade de ampliar ataques, afirmou: “Muito pouco está fora de cogitação. Se acontecer, acontece. E se não acontecer, vamos explodir o país inteiro” .

Trump também alegou que autoridades iranianas teriam matado mais de 40 mil civis durante a repressão aos protestos, sem apresentar provas. Ao comentar o resgate de um militar americano após a queda de um caça F-15 no território iraniano, disse que havia temor de captura e de que o sinal de localização do piloto pudesse ser uma armadilha.

“Milhares desses selvagens estavam caçando ele. Até a população estava procurando. Ofereceram recompensa para quem o capturasse”, declarou.

Antes de um pronunciamento à nação sobre o conflito, feito na última quarta-feira e que em grande parte repetiu antigas publicações do Truth Social, o presidente enfrentava um problema de percepção: uma pesquisa da CNN apontou que dois terços dos americanos não acreditam que ele tenha um plano real para encerrar a guerra.

Trump continua negando isso, mesmo com a mudança pública de seus objetivos, que passaram a focar na reabertura do estreito, deixando em segundo plano a ideia de os EUA obterem o urânio enriquecido do Irã.