
Irã e Estados Unidos avaliam um plano de cessar-fogo que pode entrar em vigor já nesta segunda-feira (6), com impacto direto sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o petróleo no mundo. A proposta, revelada pela Reuters, foi elaborada pelo Paquistão e enviada às partes durante a noite, em meio ao temor de novas consequências para o mercado global de energia.
Segundo a agência, o plano prevê duas etapas. A primeira seria um cessar-fogo imediato. A segunda abriria um prazo de 15 a 20 dias para a negociação de um acordo mais amplo, com possibilidade de conversas presenciais em Islamabad, capital paquistanesa.
O entendimento inicial seria formalizado eletronicamente, com o Paquistão atuando como canal de comunicação entre Irã e Estados Unidos. “Todos os elementos precisam ser acordados hoje”, disse uma fonte ouvida pela Reuters.
A proposta ganhou força diante da pressão diplomática para evitar novos danos à navegação no Estreito de Ormuz, ponto sensível para o abastecimento internacional de petróleo. O texto também prevê que o acordo definitivo inclua compromissos do Irã sobre seu programa nuclear, em troca de alívio de sanções e da liberação de ativos congelados. O plano foi apelidado provisoriamente de “Acordo de Islamabad”.
Uma autoridade iraniana de alto escalão afirmou que Teerã está revisando a proposta, mas deixou claro que o país não pretende reabrir o Estreito de Ormuz apenas em troca de um “cessar-fogo temporário”.

A mesma fonte também indicou que o governo iraniano não aceitará pressões externas para cumprir prazos na tomada de decisão. Até a última atualização da reportagem, não havia manifestação oficial nem do governo iraniano nem das autoridades estadunidenses sobre a oferta de trégua.
O chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, manteve contato “a noite toda” com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o chanceler iraniano Abbas Araqchi.
Ainda assim, duas fontes paquistanesas relataram que o Irã, até agora, não assumiu compromisso com a proposta, apesar da intensificação dos esforços civis e militares de mediação.