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Caco Barcellos entrevista membro do governo do Irã; saiba os detalhes

Representante do Irã em entrevista a Caco Barcellos. Foto: reprodução

A embaixada do Irã no Brasil destacou, nesta segunda-feira (6), a entrevista concedida pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país ao jornalista Caco Barcellos, em Teerã, e afirmou que a iniciativa representa um esforço para levar “informações precisas e de primeira mão ao povo brasileiro”.

A manifestação foi publicada no perfil oficial da representação iraniana no X, em meio ao aumento das críticas à cobertura da guerra por grandes veículos de imprensa no Brasil e no exterior. Na postagem, a embaixada celebrou o encontro com o jornalista brasileiro e ressaltou a relevância da divulgação de informações diretamente da capital iraniana.

“Temos o prazer de anunciar que Cláudio Barcelos de Barcellos, mais conhecido como Caco Barcellos, uma personalidade proeminente da mídia brasileira, concedeu uma entrevista à imprensa hoje em Teerã ao porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da República Islâmica do Irã”, iniciou o perfil.

Em seguida, a representação reforçou o discurso de que pretende falar diretamente ao público do Brasil. “Do nosso ponto de vista, fornecer informações precisas e de primeira mão ao querido povo brasileiro é importante, e estamos seriamente empenhados nesse sentido”, escreveu a embaixada.

A manifestação ocorre em um momento de forte contestação à forma como parte da imprensa vem cobrindo os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Desde o início da ofensiva, usuários nas redes sociais passaram a acusar grandes veículos de reproduzir a narrativa estadunidense sobre o conflito e de minimizar a responsabilidade pelos bombardeios que atingiram civis iranianos. As críticas ganharam força especialmente após o ataque que, segundo o texto, matou mais de 150 pessoas logo no primeiro fim de semana da guerra.

Entre os principais questionamentos está a maneira como manchetes teriam omitido os autores das ofensivas e relativizado dados divulgados por canais oficiais iranianos. O texto cita como exemplo uma chamada reproduzida pelo G1 a partir do New York Times: “Ataque mata dezenas de alunas de escola iraniana no sul do país, diz imprensa estatal”.

A formulação passou a ser apontada nas redes como um caso de distanciamento narrativo, por não informar diretamente quem realizou o bombardeio e por lançar dúvida sobre o número de vítimas ao atribuir a informação como uma especulação da imprensa estatal.

Esse tipo de construção virou alvo de críticas de usuários que denunciam um padrão de desumanização dos iranianos na cobertura internacional.

Um gráfico que viralizou no X expôs como esse tipo de manchete esconde a origem do ataque e suaviza a dimensão da violência. Uma das reações citadas veio da historiadora e escritora estadunidense Assal Rad, que resumiu sua avaliação em uma frase direta: “A direfença é intencional”.