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Gleisi ganha espaço na corrida pelo Senado com direita rachada no Paraná; entenda

Gleisi Hoffmann, pré-candidata ao Senado no Paraná. Foto: reprodução

A entrada de Cristina Graeml no PSD passou a ser lida no Paraná como um movimento que pode favorecer diretamente o crescimento de Gleisi Hoffmann (PT), ministra das Relações Institucionais, na disputa pelo Senado. A avaliação de bolsonaristas, petistas e integrantes do centrão é que a jornalista, ao deixar o campo mais claramente alinhado à direita e se aproximar do grupo de Ratinho Jr., ajuda a fragmentar o eleitorado conservador justamente em uma eleição com duas vagas em jogo.

Nesse cenário, segundo o Uol, Gleisi tende a sair fortalecida ao reunir os votos da esquerda e ainda atrair parte do centro, enquanto adversários disputam o mesmo espaço político.

A mudança surpreendeu parte da classe política local. Cristina Graeml trocou o União Brasil pelo PSD na semana passada, mesmo após ter recebido ofertas para concorrer a deputada federal tanto pelo antigo partido quanto pelo PL.

Agora, ela é cotada para disputar o Senado ou até compor como vice no grupo de Ratinho Jr., que desistiu da corrida presidencial para se concentrar no cenário estadual. Para adversários e aliados, o efeito mais imediato dessa movimentação é embaralhar ainda mais a composição da direita e abrir espaço para a petista crescer na corrida.

Hoje, a estratégia do bolsonarismo no Paraná é concentrar forças em torno do deputado Filipe Barros (PL) para uma das vagas ao Senado. A outra cadeira estaria reservada ao ex-procurador Deltan Dallagnol, do Novo, que segue inelegível por decisão do TSE de 2023, mas tenta reverter sua situação.

Cristina Graeml e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Os dois fazem parte do projeto político ligado a Sergio Moro, pré-candidato ao governo pelo PL. Com Graeml fora desse arranjo, cresce entre aliados o temor de dispersão de votos num campo que já enfrenta dificuldades para manter unidade.

É justamente aí que a briga na direita ganha peso. Bolsonaristas passaram a pressionar Graeml nas redes sociais, acusando a jornalista de enfraquecer o bloco conservador e beneficiar Gleisi Hoffmann. O deputado André Fernandes (PL-CE), uma das principais vozes do partido no Nordeste, pediu publicamente que ela “repense seu posicionamento” e “aceite o convite” para “ser federal pelo PL”, abrindo caminho para Filipe Barros e Deltan Dallagnol, que, segundo ele, “serão grandes senadores pelo Paraná”.

O advogado Jeffrey Chiquini (PL), que é pré-candidato a deputado federal, também endureceu o discurso e vinculou diretamente a decisão de Graeml ao risco de vitória da petista. “Se Gleisi for eleita senadora pelo Paraná a culpa é de Cristina Graeml que colocou seus projetos pessoais à frente do projeto da direita e do Brasil”, afirmou. A crítica traduz o incômodo de parte do bolsonarismo, que vê na filiação ao PSD uma guinada ao centro em uma eleição que tende a ser ainda mais polarizada do que a anterior.

Aliados de Ratinho Jr., por outro lado, dizem que a sucessão estadual ainda está em aberto e que Graeml é um nome forte junto ao eleitorado de Curitiba.