
A disputa interna no PL por uma vaga ao Senado em São Paulo já opõe o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) à família Bolsonaro e virou mais um foco de tensão na montagem da chapa para 2026. Sem acordo sobre quem deve ocupar a segunda posição na corrida, o partido bolsonarista decidiu preparar uma pesquisa de intenção de voto para tentar destravar a escolha e medir qual nome tem mais força eleitoral no estado.
Segundo a CNN Brasil, o levantamento deve servir como instrumento para arbitrar uma queda de braço que envolve interesses do governador, do ex-presidente Jair Bolsonaro e de Eduardo Bolsonaro.
Nos bastidores, Tarcísio tem defendido o nome do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado, para compor a chapa ao lado de Guilherme Derrite, seu ex-secretário de Segurança e nome já definido para uma das vagas.
A aposta do governador é que Prado consiga atrair o eleitorado de centro, faixa vista como estratégica diante da possibilidade de candidaturas adversárias buscarem esse mesmo espaço político, como uma eventual composição com Simone Tebet (PT) na chapa de Fernando Haddad (PT) ao governo paulista.

Além do apelo junto ao centro, André do Prado também é visto como um nome capaz de ajudar Tarcísio na articulação política da campanha à reeleição. Como presidente da Alesp desde 2023, ele reúne influência sobre prefeitos e deputados estaduais e poderia ampliar o engajamento da base em torno do projeto do governador.
O problema é que Prado não é tratado como alguém próximo do núcleo bolsonarista mais duro, especialmente de Eduardo Bolsonaro, que dentro do grupo é visto como o “dono da vaga” e, portanto, como fiador da indicação ao Senado.
Eduardo era o nome natural da legenda para a disputa, mas virou réu no Supremo Tribunal Federal por coação processual após sua atuação nos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes e deve perder os direitos políticos.
Com isso, bolsonaristas passaram a apontar que o preferido do deputado para a vaga é o ex-ministro da Cultura Mario Frias (PL). Já aliados de Jair Bolsonaro afirmam que o ex-presidente tem inclinação por outro nome: o vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello (PL), indicado por ele para compor a chapa de Ricardo Nunes na eleição municipal.
A atuação de Mello na prefeitura, com postura mais independente, também fez partidos da coalizão de Nunes passarem a defender seu nome para o Senado. “Minha bandeira de combate à corrupção incomoda vários partidos aqui em São Paulo, e eles vão fazer campanha forte para eu sair da prefeitura e ir para o Senado. Fico contente em ser lembrado nas pesquisas”, disse Mello à CNN.
A fala reforça que o impasse deixou de ser apenas uma disputa reservada ao PL e já mobiliza interesses mais amplos dentro da direita paulista.
Sem consenso entre Tarcísio e os Bolsonaro, um terceiro caminho passou a circular como alternativa de emergência: o empresário Renato Bolsonaro, irmão de Jair Bolsonaro. O nome teria como principal ativo o peso político do sobrenome da família num momento de divisão sobre quem deve representar o bolsonarismo na disputa.
“Meu nome está à disposição. Se o partido achar que é um bom nome, eu disputo, mas não estou trabalhando por isso. Não participo dessa decisão. No momento, sou pré-candidato a deputado federal”, disse à CNN. Com a pesquisa em preparação, o PL tenta transformar o conflito interno em cálculo eleitoral e evitar que a briga pela vaga se torne mais um desgaste público no campo da direita.