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Irã e EUA rejeitam proposta de cessar-fogo do Paquistão

A bandeira do Irã tremula entre as ruínas do consulado iraniano na Síria. Foto: Divulgação

Nesta segunda-feira (6), tanto o Irã quanto os Estados Unidos rejeitaram o plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão. O regime iraniano, inclusive, apresentou uma contraproposta, que ainda não foi detalhada publicamente.

O presidente dos EUA, Donald Trump, embora tenha elogiado a proposta paquistanesa, afirmou que ela ainda não era “suficiente”. Ele destacou que, embora o plano tenha sido um “passo significativo”, ele não resolve o conflito de maneira definitiva.

“Eles [o Irã] fizeram uma proposta, e é uma proposta significativa. É um passo significativo. Mas não é suficiente”, afirmou o presidente. Trump também reiterou que o novo prazo para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz seria nesta terça-feira (7), mas deixou claro que os EUA não estão com pressa: “Poderíamos sair agora mesmo se quiséssemos, mas eu quero terminar o trabalho.”

De acordo com a agência estatal iraniana Irna, o Irã recusou o plano do Paquistão porque acredita que uma pausa temporária apenas permitiria que os adversários se reagrupassem e realizassem novos ataques. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que Teerã está buscando uma solução permanente para o conflito. “Estamos pedindo o fim da guerra e que se impeça sua repetição”, disse ele.

O Irã já apresentou sua contraproposta ao Paquistão, mas os detalhes ainda não foram divulgados. A proposta original do Paquistão, compartilhada com os dois países na noite anterior, consistia em duas fases: um cessar-fogo imediato seguido de negociações para um acordo definitivo que colocasse fim à guerra.

Teerã afirma que destroços encontrados em Isfahan, no Irã, pertencem a aeronaves militares dos Estados Unidos. Foto: Divulgação

A proposta previa, ainda, a possível reabertura do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã há mais de um mês. A sugestão do Paquistão indicava que o cessar-fogo entraria em vigor imediatamente, permitindo a reabertura do Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o mercado global de petróleo.

As partes teriam entre 15 e 20 dias para negociar um acordo mais amplo. Alguns meios de comunicação, como o site Axios, informaram que os EUA e o Irã estavam discutindo um cessar-fogo de 45 dias, com a possibilidade de que isso levasse a um fim permanente do conflito.

No entanto, a Reuters ressaltou que a proposta não mencionava a participação de Israel, que também está envolvido no conflito ao lado dos Estados Unidos. Apesar de uma decisão de Washington ser transmitida e imposta a Tel Aviv, o governo israelense tem seus próprios objetivos e exigências em relação ao regime iraniano.

A proposta do Paquistão, conhecida como “Acordo de Islamabad”, ainda precisa ser discutida em detalhes. Segundo fontes, o plano pode incluir compromissos do Irã com seu programa nuclear em troca de alívio nas sanções econômicas e liberação de ativos congelados.

O chefe do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, esteve em contato contínuo durante a noite com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, na tentativa de encontrar um entendimento que pudesse reduzir as tensões na região.