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Pastor usa igreja para pedir votos a Flávio Bolsonaro: “Que o Senhor o leve à Presidência”

O pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) participando de evento da Assembleia de Deus. Fotomontagem

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deu início, nesta segunda-feira (6), em São Paulo, a uma série de visitas a igrejas evangélicas com encontros reservados a lideranças religiosas.

A ofensiva, que replica a estratégia adotada por Jair Bolsonaro em 2018, ocorre em meio à disputa pelo eleitorado evangélico, considerado decisivo na eleição presidencial de 2026. O primeiro compromisso foi pela manhã, em um encontro estadual de obreiros da Assembleia de Deus Ministério do Belém, onde o pré-candidato subiu ao púlpito, se ajoelhou e recebeu uma oração do bispo José Wellington Bezerra da Costa.

Diante de ao menos 40 pastores, o bispo fez referência direta ao futuro político do senador: “Que o Senhor o leve para ser presidente da nossa nação. Que ele tenha graça e nasça do céu”, declarou. Também participou do encontro o pastor José Wellington Costa Júnior, filho do bispo.

Ambos são ligados à Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus do Brasil, uma das principais entidades da denominação no país, com forte capilaridade nacional. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio, acompanhou o parlamentar e confirmou a presença na sede da igreja.

A agenda na capital paulista se estende pelos dois primeiros dias da semana e inclui uma série de reuniões reservadas com outras lideranças evangélicas de peso, em conversas fora do radar público — modelo que replica a estratégia de aproximação direta a dirigentes religiosos usada por Jair Bolsonaro em 2018, com agendas individuais e encontros fora do alcance da imprensa. Entre os nomes com os quais aliados do senador tentam marcar encontros estão Estevam Hernandes (Renascer), R. R. Soares (Igreja da Graça) e Valdemiro Santiago (Igreja Mundial do Poder de Deus).

O eleitorado evangélico tem peso decisivo na disputa presidencial. Segundo a última pesquisa Datafolha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem desempenho mais limitado nesse segmento, com cerca de 21% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro, por sua vez, concentra apoio expressivo entre evangélicos, com aproximadamente 48% — mais que o dobro do percentual do petista. No entanto, a entrada de um terceiro nome na direita pode fragmentar o eleitorado conservador, o que explica a intensificação da agenda religiosa do concorrente ao Planalto escolhido pelo clã.