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Prazo dado por Trump em bravata contra o Irã acaba nesta terça; o que pode acontecer

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

O prazo que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fixou para que o Irã aceite um acordo, acaba nesta terça-feira (7), às 21h, no horário de Brasília. A ameaça, feita em meio à sexta semana da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, ampliou o temor de impactos globais sobre energia, abastecimento e segurança regional. Caso as negociações fracassem, o presidente estadunidense promete atacar pontes e usinas iranianas, em um movimento que já é tratado por Teerã como possível crime de guerra.

O ultimato foi publicado por Trump no domingo (5), quando ele exigiu que o Irã reabra o Estreito de Ormuz e aceite um entendimento com Washington. A região é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo, e o fechamento parcial promovido por Teerã já pressiona os preços dos combustíveis em vários países.

Na postagem, Trump subiu o tom com uma ameaça explícita: “Terça-feira será o Dia das Usinas de Energia e o Dia das Pontes, tudo em um só, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a p*** do estreito, seus bastardos loucos, ou vocês vão viver no inferno — é só esperar! Louvado seja Alá”.

Ameaça de Trump no Truth Social. Foto: reprodução

A escalada verbal ocorre depois de uma sequência de prazos e ameaças feitos pelo presidente estadunidense nas últimas semanas. Em 21 de março, ele disse que “obliteraria” usinas caso o Irã não reabrisse Ormuz em 48 horas.

Depois, prorrogou o prazo, afirmou haver negociações “muito boas e produtivas” e, na segunda-feira (6), declarou que os EUA poderiam tomar “o Irã inteiro em apenas uma noite”. Ao mesmo tempo, Washington sustenta que quer impedir definitivamente que Teerã desenvolva arma nuclear e limitar seu arsenal de mísseis.

Mesmo sob forte ofensiva militar, o Irã segue reagindo. Além de manter ataques frequentes contra Israel, com registros em cidades como Tel Aviv e Haifa, Teerã também tem atingido interesses ligados aos EUA na região e pressionado a economia global com restrições no Estreito de Ormuz.

O desgaste político para Trump também cresceu, especialmente a poucos meses das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, o que ajuda a explicar o endurecimento do discurso da Casa Branca.

As tentativas de negociação continuam travadas. Na segunda-feira (6), Irã e Estados Unidos recusaram um plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão, que previa pausa nos ataques para permitir a reabertura de Ormuz e o início de novas conversas.

O governo iraniano afirmou preferir uma negociação para encerrar de vez a guerra, e não apenas uma trégua temporária. O impasse alimenta o temor de uma escalada com efeitos devastadores: colapso elétrico no Irã, desabastecimento regional, risco radiológico e novos choques no mercado internacional de energia.

A resposta iraniana às ameaças de Trump foi imediata. “O presidente americano, como a mais alta autoridade de seu país, ameaçou publicamente cometer crimes de guerra”, escreveu Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, em publicação no X.