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Preço do petróleo dispara e se aproxima dos US$ 110 no dia do ultimato de Trump ao Irã

Barris de petróleo. Foto: reprodução

O preço do petróleo opera em forte volatilidade nesta terça-feira (7), dia em que termina o prazo fixado por Donald Trump para que um acordo seja fechado em meio à guerra no Irã. A expectativa em torno da resposta de Teerã tem mantido o mercado internacional em alerta e ajudado a sustentar o barril em patamares elevados, num cenário que mistura risco geopolítico, ameaça ao fluxo de energia e incerteza sobre os próximos passos dos Estados Unidos e de Israel.

Por volta das 7h15, no horário de Brasília, o barril do Brent, referência global, era negociado a US$ 108,91, depois de abrir em alta nas primeiras horas do dia e de tocar US$ 111,18 às 23h50, segundo a Folha.

Já o WTI, referência no mercado estadunidense, chegou a superar US$ 116 por barril, atingindo a máxima em quatro semanas, antes de perder força e recuar para US$ 113,89 no início da manhã. Os dois contratos já haviam encerrado a segunda-feira (6) em alta, refletindo a combinação entre nervosismo político e temor de desabastecimento.

O prazo estipulado por Trump termina às 21h, também no horário de Brasília. Depois de uma sequência de ultimatos prorrogados, o presidente dos Estados Unidos passou a dizer que agora se trata de um prazo definitivo. Apesar de os dois lados estudarem propostas para interromper as hostilidades, os sinais emitidos até aqui indicam que a negociação segue travada. Enquanto isso, o mercado tenta medir o tamanho do risco depois de cinco semanas de conflito no Oriente Médio.

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

A avaliação predominante é de cautela. “Os traders mais intrépidos podem fazer uma aposta em uma direção ou outra. Outros vão procurar proteger o risco ou ficar totalmente de fora. Mas não há muito que os participantes do mercado possam realmente fazer além de esperar para ver”, disse Kyle Rodda, analista sênior de mercados da Capital.com.

Do lado iraniano, o discurso continua duro. Teerã afirma que busca um fim duradouro para a guerra, e não apenas um cessar-fogo temporário, e resiste à pressão para reabrir o estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás natural. O país também apresentou aos Estados Unidos uma lista de dez pontos para negociar, incluindo um acordo sobre o uso de Hormuz, o fim das sanções econômicas e medidas para a reconstrução do país.

Trump afirmou que o Irã poderá ser “eliminado” caso não aceite um acordo dentro do prazo. O presidente também ameaçou destruir usinas de energia e pontes iranianas, enquanto Israel voltou a atacar instalações próximas ao maior campo de gás do mundo, dividido entre Irã e Catar, no Golfo Pérsico.

Segundo agências como Reuters e Associated Press, o centro do impasse continua sendo o mesmo do acordo de 2015: a troca entre a renúncia iraniana à bomba atômica e o fim das sanções. O obstáculo, porém, permanece: Teerã não aceita abrir mão de sua capacidade de processar e enriquecer urânio.

A instabilidade também contaminou as bolsas asiáticas. No início da madrugada, o índice Nikkei, do Japão, caía 0,17%, enquanto a Bolsa de Xangai subia 0,46% e o Kospi, da Coreia do Sul, avançava 0,27%. Os futuros das ações nos Estados Unidos recuavam 0,55%, enquanto os contratos europeus indicavam abertura em alta. Já o ouro caía 0,30%, cotado a US$ 4.671,05.