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ONU rejeita uso da força no Estreito de Ormuz após vetos de China e Rússia

Sessão no Conselho de Segurança da ONU que votou e rejeitou resolução permitindo uso da força no Estreito de Ormuz. Foto: Divulgação

Em uma reunião tensa nesta terça-feira (7), o Conselho de Segurança da ONU rejeitou uma resolução que autorizava o uso da força no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de navegação global, atualmente bloqueada pelo Irã. O bloqueio ocorre no contexto da intensificação da guerra no Oriente Médio, envolvendo o Irã, os Estados Unidos e Israel.

A proposta, que foi apoiada por alguns membros do Conselho, visava permitir que países adotassem “todos os meios defensivos necessários” para garantir a navegação no estreito, essencial para o comércio internacional de petróleo. No entanto, a resolução enfrentou forte oposição da China e da Rússia, que, junto com a França, exercem o poder de veto no órgão.

Ambos os países não concordaram com o trecho que autorizava o uso de “qualquer medida necessária” para reabertura do estreito. A votação da resolução, inicialmente agendada para a semana passada, foi adiada para permitir mais discussões entre diplomatas.

Mesmo com uma tentativa de flexibilizar a medida, retirando a aplicação obrigatória da força, a China e a Rússia se mantiveram firmes em sua posição de veto. A França, por outro lado, acabou se alinhando ao projeto após ajustes no texto.

O governo do Bahrein, que ocupa a presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU, afirmou que continuará tentando apresentar a resolução para votação, embora a oposição de grandes potências tenha tornado esse processo mais difícil.

O embaixador do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, durante votação da ONU. Foto: Divulgação

A postura da China, aliada do Irã e principal comprador de seu petróleo, destaca a complexidade da dinâmica geopolítica em jogo. A guerra no Oriente Médio, especialmente no contexto do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, atingiu um ponto crítico nesta terça-feira.

O presidente dos EUA, Donald Trump, renovou o ultimato ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, um passo que, segundo ele, pode evitar a destruição de uma “civilização inteira”. O Irã, por sua vez, manteve sua postura desafiadora, alegando que não reabrirá o estreito em troca de promessas vazias e ameaçando fechar outras vias marítimas estratégicas.

A tensão aumentou com os recentes ataques militares dos EUA e de Israel na região. Os EUA, antes do prazo final para o ultimato de Trump, atacaram a ilha de Kharg, uma importante base de armazenamento de petróleo iraniano. Israel também intensificou os ataques em território iraniano, atingindo infraestruturas chave como pontes, aeroportos e refinarias de petróleo.

O governo iraniano, além de retaliações militares, convocou a população a se proteger formando “escudos humanos” ao redor das instalações estratégicas. Em resposta ao ataque de potências estrangeiras, o Irã afirmou que não manteria mais sua política de boa vizinhança com os países do Golfo, e que novas ações militares seriam inevitáveis.