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Caso Brumadinho: ação no STF contesta manutenção de auxílio às vítimas

Escavadeiras em Brumadinho
Escavadeiras em Brumadinho – Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra decisão que determinou a continuidade do pagamento de auxílio emergencial às vítimas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). O custo do benefício segue atribuído à mineradora Vale S/A. A ação foi distribuída ao ministro Gilmar Mendes.

Segundo o instituto, após o desastre ocorrido em janeiro de 2019, foi homologado em 2021 o Acordo Judicial de Reparação Integral (AJRI). O acordo foi firmado entre a Vale e autoridades públicas, com previsão de medidas de reparação socioeconômica e ambiental.

Nesse contexto, a empresa destinou R$ 4,4 bilhões à população atingida. O valor foi executado por meio de um Programa de Transferência de Renda (PTR), direcionado às pessoas impactadas pelo rompimento da barragem.

Tragédia de Brumadinho
Tragédia de Brumadinho – Antônio Cruz/Agência Brasil

No entanto, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) determinou a continuidade do pagamento do auxílio. A decisão atendeu pedido de entidades que representam atingidos, com base na Lei 14.755/2023, que instituiu a Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB).

De acordo com o entendimento adotado pelo TJ-MG, a norma prevê a manutenção de auxílio financeiro até a reestruturação das condições de vida dos atingidos em nível anterior ao acidente. Por isso, a decisão manteve o pagamento além do que foi previsto no acordo firmado anteriormente.

O Ibram sustenta que a aplicação da lei posterior ao acordo homologado viola princípios constitucionais, como a proteção da coisa julgada e a segurança jurídica. A entidade pede liminar ao STF para suspender os efeitos da decisão e, no mérito, solicita a declaração de inconstitucionalidade da interpretação que permita aplicação retroativa da lei.