Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Viralatismo da GloboNews sobre metrô de NY provoca deboche nas redes

Nova York irá aposentar cartão de transporte MetroCard
Metrocard: cartão de acesso ao metrô de Nova York.

Neste domingo (05), o Fantástico exibiu uma matéria sobre o uso de pagamento por aproximação e o fim do Metrocard, cartão magnético usado para comprar passagens no metrô de Nova York desde 1994.

O foco da matéria foi mostrar como os usuários eram resistentes à mudança há três décadas e agora, com tecnologias de pagamento por aproximação, o Metrocard tornou-se anacrônico e desnecessário.

A matéria, viralatismo jornalístico puro, focou em Juan Carlos, artista plástico guatemalteco e morador de Nova York, usava os cartões velhos para fazer imagens de famosos como John Lennon, Muhammad Ali e Frida Kahlo.

Tal bobagem não ficou impune ao humor ácido do X (antigo Twitter). A usuária @lanadeholanda perguntou sem rodeios: “Por que o sistema de pagamento do metrô de Nova York merece virar notícia na maior TV do Brasil?”

Já o analista político Christian Lynch debochou da emissora: O metrô de NYC adota o que se faz no metrô do Rio há não sei quantos anos e chamam isso de “revolução”? Isso só pode ser matéria para quem não anda de metrô no Brasil. Deve ser porque NÃO tem estação de metrô no bairro do Jardim Botânico, onde ficam os estúdios da Globonews. Se os estúdios ficassem, sei lá, no Flamengo, no Leblon, a matéria não tinha saído”.

Mauro Cezar Pereira, comentarista esportivo dos canais ESPN, também cornetou a Globo: “O metrô do Rio de Janeiro aceita pagamento por aproximação desde 29 de abril de 2019. Foi pioneiro na América Latina. Outros há mais tempo. O de Londres, por exemplo, aceita cartões por aproximação desde 16 de setembro de 2014”.

“Se a prefeitura de São Luís ou de Porto Velho fizesse isso duvido que a Globo News noticiaria”, escreveu o usuário @joaoalho. Em resumo, para quase a totalidade dos internautas, a matéria foi o puro suco da viralatice com os EUA.

Para muitos internautas, a matéria foi uma maneira de “limpar a barra” dos EUA com o público do Fantástico. Para além da desastrosa gestão Trump, os ataques ianques à Venezuela, Cuba e, principalmente, ao Irã, arruinaram a imagem dos Estados Unidos mundo afora.

Caso estivesse mesmo interessada em fazer jornalismo sobre experiências de transporte, a Globo poderia abordar inúmeras iniciativas Brasil afora. Algumas delas com mais de quatro décadas de implementação.

Poderia falar, por exemplo, do Bilhete Único em São Paulo. Criado em 2004, pela então prefeita Marta Suplicy, permitia ao usuário do sistema de ônibus paulistano fazer até quatro viagens de ônibus em duas horas. Essa sim, foi uma “revolução” na mobilidade da maior cidade da América Latina.

Também poderia ser abordado o “fura-fila”, idealizado por Paulo Maluf em 1996 e inaugurado por Gilberto Kassab em 2007. O nome técnico é veículo leve sobre pneus e consistia de trólebus em vias suspensas. O sistema acabou sendo pouco utilizado, com apenas uma linha (Sacomã-Parque Dom Pedro).

Outra iniciativa a ser discutida seria o passe livre, implementado em Maricá (RJ) e São Caetano do Sul (SP). Na cidade do ABC paulista, a iniciativa fez quadruplicar o número de usuários de ônibus. Ou seja, mesmo com ajustes a serem feitos, é sinal de que a ideia é bem vista pela população.

Em São Paulo, além do Bilhete Único com diversas modalidades de usuários, há pagamento por cartão de crédito direto na catraca e o pix – tão difamado pelas empresas de cartão de crédito dos EUA.

Em resumo, à esquerda e à direita, no Brasil, há inúmeras iniciativas de transporte muito mais inovadoras do que o fim do MetroCard e o pagamento por NFC no metrô nova-iorquino. Para aliviar a barra de Trump e seus asseclas no Oriente Médio, a Globo passou vergonha no débito e no crédito.