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“indignação e perplexidade”: A reação da Rede à permanência de Marina e a crise na sigla

Marina SIlva. Foto: Reprodução/Flicker

A direção nacional da Rede Sustentabilidade reagiu nesta terça-feira (7) ao anúncio de Marina Silva sobre sua permanência no partido e afirmou ter recebido a decisão com “indignação e perplexidade”. Na nota, o grupo disse que a ex-ministra se recusa a dialogar com a atual direção e sustentou que, em nenhum momento, sugeriu o desligamento dela da legenda.

O texto divulgado pela cúpula do partido rebate diretamente a ala ligada a Marina, que vinha acusando a direção de desrespeitar a democracia interna. Em resposta, o diretório nacional afirmou que não procede a tentativa de atribuir saídas recentes de mandatários a perseguição política e acusou os aliados da ex-ministra de praticar “lawfare”, descrito pela nota como uso abusivo da Justiça em disputa interna.

A reação ocorreu poucos dias depois de Marina anunciar que permaneceria na Rede para, segundo sua própria nota, “continuar trabalhando pela restauração dos princípios e valores” do partido. No comunicado publicado no sábado (4), ela também afirmou que a decisão reafirma compromisso com a reeleição do presidente Lula e com a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, além de colocar seu nome no debate para a segunda vaga ao Senado pela federação liderada pelo PSOL, ao lado de Simone Tebet (PSB).

Marina Silva e Fernando Haddad durante evento em Nova Iorque. Foto: Diogo Zacarias/MMA

A disputa se conecta diretamente ao cenário eleitoral paulista. Marina condiciona uma eventual candidatura ao apoio à reeleição de Lula, à construção de uma frente ampla em São Paulo e ao fortalecimento da agenda verde. Ao mesmo tempo, a direção da Rede reafirmou apoio à campanha de Lula e à de Haddad, o que mantém em aberto a disputa por espaço dentro do mesmo campo político, mesmo com o conflito interno ainda sem solução.

A crise na sigla se arrasta desde a eleição interna de abril do ano passado, quando o grupo apoiado por Marina foi derrotado por Paulo Lamac, nome referendado por Heloísa Helena. Desde então, o embate avançou para a esfera judicial. Em janeiro, a Justiça do Rio de Janeiro anulou o congresso nacional da legenda, e, no mês passado, dirigentes ligados a Marina obtiveram liminar no Distrito Federal suspendendo efeitos de uma resolução partidária sobre pedidos de desfiliação por justa causa.

Neste momento, o quadro reúne dois movimentos simultâneos: Marina decidiu permanecer na legenda que ajudou a fundar e manter articulação eleitoral em São Paulo, enquanto a direção nacional respondeu com uma nota de confronto político e jurídico. Assim, a permanência da ex-ministra não encerrou a crise interna da Rede e manteve aberta a disputa sobre o comando, o funcionamento partidário e o lugar que ela ocupará na eleição deste ano.