
O primeiro dia do cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã foi marcado por instabilidade e ameaças de ruptura. O governo iraniano indicou que pode abandonar a trégua de duas semanas após a continuidade dos ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano, aliado estratégico de Teerã.
Segundo a agência Fars, alguns petroleiros foram parados no estreito de Ormuz, ponto central do acordo anunciado na terça (7) por Donald Trump. A extensão da ação ainda não foi detalhada por autoridades do país.
Israel manteve operações militares no Líbano fora do acordo e realizou o maior ataque recente contra estruturas do Hezbollah. A Casa Branca alegou que essa frente não foi incluída na trégua acordada entre os países.
Mesmo após o início do cessar-fogo, o Irã lançou ataques contra países do golfo Pérsico. Houve disparos contra Kuwait, Qatar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, que registraram 17 mísseis e 35 drones. O país foi o mais atingido ao longo do conflito, concentrando 37% dos 6.562 projéteis lançados por Teerã.

O Financial Times ainda relatou que houve um ataque iraniano a uma estação ligada a um oleoduto saudita. A Arábia Saudita informou ter interceptado nove drones. Paralelamente, forças iranianas disseram ter abatido um drone israelense e alertaram para reações a qualquer violação de seu espaço aéreo.
Autoridades dos EUA classificaram o acordo como instável. O vice-presidente J. D. Vance afirmou que se trata de uma trégua dependente da postura iraniana. O chefe do Estado-Maior, general Dan Caine, declarou que as forças seguem mobilizadas e que a pausa não representa desmobilização.
Do lado iraniano, representantes reiteraram desconfiança nas negociações. O embaixador na ONU, Ali Bahreni, afirmou que o país negocia mantendo prontidão militar. O controle do estreito de Ormuz segue como ponto central, com cerca de 1.400 navios na região e impacto direto sobre o fluxo de 20% do petróleo e gás liquefeito do mundo.