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Receita aponta pagamentos do Master a Temer, Rueda, Wajngarten e ACM Neto

Fachada do Banco Master.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Documentos da Receita Federal encaminhados à CPI do Crime Organizado indicam que o Banco Master declarou pagamentos, entre 2022 e 2025, a empresas e escritórios vinculados a Michel Temer (MDB), Antônio Rueda (União Brasil), Guido Mantega, Ricardo Lewandowski e ACM Neto. Os registros incluem ainda repasses a Henrique Meirelles, Fabio Wajngarten e à BN Financeira, empresa ligada a Bonnie Bonilha, nora do senador Jaques Wagner (PT-BA).

Os valores informados abrangem diferentes contratos de consultoria e serviços. Entre eles, aparecem R$ 18,5 milhões destinados a Henrique Meirelles, R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, de Mantega, R$ 10 milhões ao escritório de Temer em 2025 e R$ 6,4 milhões a escritórios ligados a Rueda desde 2023. Também consta o pagamento de R$ 5,45 milhões à A&M Consultoria, vinculada a ACM Neto, e ao menos R$ 6,1 milhões à Lewandowski Advocacia, a partir de novembro de 2023.

Em ordem, Michel Temer (MDB), Antônio Rueda (UB), ministro Guido Mantega e ACM Neto (UB). Fotomontagem

Os dados incluem ainda R$ 12 milhões à BN Financeira no período de 2022 a 2025, além de R$ 289 mil em nome de Jaques Wagner como pessoa física. Consta também o registro de cerca de R$ 80 milhões, em 2024 e 2025, ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes. Com informações da Folha de S.Paulo.

Os citados informaram que os valores correspondem a serviços prestados ou contratos regulares. Temer afirmou que recebeu por atuação de mediação. Meirelles declarou que manteve contrato de consultoria até julho de 2025. O escritório ligado a Lewandowski informou que prestava serviços jurídicos ao banco e que o ex-ministro deixou a sociedade ao assumir cargo no governo federal.

Rueda declarou que não confirma informações baseadas em dados fiscais que classifica como vazados de forma ilícita e afirmou que os serviços prestados tiveram caráter técnico. Já a BN Financeira informou que os contratos foram formalizados com emissão de notas fiscais e declarou não haver investigação sobre os pagamentos.

Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi preso no início de março pela Polícia Federal e negocia acordo de delação premiada. Os dados fiscais passam a integrar o conjunto de informações analisadas pela CPI, que examina contratos, pagamentos e relações do banco com agentes públicos e empresas.