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Pentágono ameaçou o Papa Leão XIV após críticas a Trump

O Papa Leão em Mônaco. Foto: reprodução

As relações entre os Estados Unidos e a Igreja Católica entraram em forte tensão após um episódio ocorrido em janeiro, quando autoridades do Pentágono teriam adotado um tom duro diante de representantes do Vaticano.

Dias depois de o Papa Leão XIV fazer um discurso crítico ao clima de militarização global, o subsecretário de Defesa para Política, Elbridge Colby, convocou o cardeal Christophe Pierre para uma reunião a portas fechadas no Pentágono.

Pierre é um prelado francês da Igreja Católica e diplomata veterano da Santa Sé, que serviu como Núncio Apostólico nos Estados Unidos de 2016 a 2026. Nomeado cardeal pelo Papa Francisco em 2023, atuou anteriormente como núncio no México, Uganda e Haiti, sendo reconhecido por sua atuação diplomática em cenários complexos.

Segundo reportagem do site The Free Press, o encontro foi marcado por um tom de advertência. Colby teria afirmado que os EUA possuem poder militar para agir como quiserem no mundo e que a Igreja Católica deveria se alinhar a Washington.

Durante a reunião, um funcionário do governo americano chegou a mencionar o período histórico do Papado de Avinhão — quando a monarquia francesa submeteu a Igreja à sua influência — em um paralelo interpretado por membros do Vaticano como uma insinuação de coerção.

 

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Críticas do papa irritaram Washington

A tensão foi alimentada pelas declarações recentes de Leão XIV, que criticou o abandono da diplomacia baseada no diálogo em favor de uma política de confronto. O pontífice afirmou que “a guerra voltou a estar na moda” e alertou para o avanço de uma mentalidade belicista.

As falas foram vistas dentro do governo de Donald Trump como um ataque direto à sua administração, especialmente em meio à escalada militar envolvendo o Irã. O papa já havia classificado como “inaceitáveis” ameaças contra populações inteiras e defendido negociações de paz.

Clima de intimidação e reação do Vaticano

De acordo com fontes próximas ao Vaticano, o episódio no Pentágono foi interpretado como uma tentativa inédita de intimidação por parte de autoridades americanas. Não há registros públicos de encontros anteriores desse tipo entre representantes da Santa Sé e o Pentágono.

O impacto foi imediato: o papa teria cancelado planos de visitar os Estados Unidos ainda este ano. Internamente, autoridades da Igreja avaliaram a referência ao Papado de Avinhão como uma ameaça simbólica de uso de força contra o Vaticano.

A Casa Branca e o Departamento de Defesa rejeitaram a caracterização do encontro como hostil. Em nota, afirmaram que a reunião foi “respeitosa e razoável” e que os EUA mantêm “alto respeito” pela Santa Sé, defendendo a continuidade do diálogo.