
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã divulgou um mapa com rotas alternativas de navegação no Estreito de Ormuz para orientar navios a evitarem minas navais. A medida foi publicada na madrugada desta quinta-feira (9), no horário local iraniano, em meio à tentativa de reabertura parcial da principal rota marítima do petróleo mundial.
Segundo a Reuters, Teerã vinha sinalizando que poderia reabrir Ormuz de forma limitada e controlada, com exigência de coordenação prévia das embarcações com as Forças Armadas iranianas. Operadores marítimos, porém, seguem cobrando clareza sobre as condições de travessia, e o Irã já advertiu que navios que tentarem cruzar sem autorização podem ser atacados.
O estreito é um ponto central para o comércio global de energia. A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos estima que cerca de 20% dos derivados líquidos de petróleo consumidos no mundo passam pela via, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao mar Arábico. As alternativas terrestres e marítimas disponíveis na região não substituem integralmente esse fluxo.

A Reuters informou ainda que o Irã passou a defender um modelo de navegação supervisionada em Ormuz e que empresas do setor tratam a situação com cautela. A Maersk afirmou que o cessar-fogo recente não garante “certeza marítima plena”, enquanto a Hapag-Lloyd estimou que a normalização do tráfego pode levar de seis a oito semanas.
No momento, ao menos 187 petroleiros continuam no Golfo à espera de definição sobre a travessia, carregando cerca de 172 milhões de barris de petróleo bruto e derivados. O quadro mantém pressão sobre seguradoras, armadores e refinarias, que aguardam regras mais estáveis para a retomada do trânsito.
A divulgação do mapa reforça que o risco de minas continua no centro da crise em Ormuz. Mais do que anunciar uma reabertura, o gesto do Irã mostra que a passagem seguirá submetida a controle militar, autorização prévia e incerteza operacional mesmo sob trégua frágil com os Estados Unidos.