
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar a Otan nesta quarta-feira (8) em publicação na Truth Social. Na mensagem, afirmou que a aliança “não estava lá” quando Washington precisou de apoio e citou a Groenlândia como um “pedaço de gelo enorme e mal administrado”, em mais uma manifestação de pressão sobre o território ligado à Dinamarca.
A nova investida ocorreu horas depois de Trump se reunir, a portas fechadas, com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, na Casa Branca. Depois do encontro, Rutte declarou à CNN que o presidente norte-americano está “claramente decepcionado” com parte dos aliados e descreveu a conversa como franca e aberta.
O atrito se concentra no conflito com o Irã. Segundo a Reuters, vários países da Otan resistiram a apoiar a campanha militar dos Estados Unidos ao negar espaço aéreo a aeronaves americanas ou recusar o envio de forças navais para ajudar na reabertura do Estreito de Ormuz.

Mais cedo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que os aliados da Otan “foram testados e falharam” durante a guerra. Já Rutte afirmou que alguns países, de fato, não cumpriram o que havia sido prometido, mas declarou que a maior parte dos europeus prestou ajuda em logística e em outros compromissos assumidos.
Trump intensificou as críticas à aliança nas últimas semanas, período em que passou a chamar a Otan de “tigre de papel” e voltou a ameaçar retirar os Estados Unidos do bloco. A crise em torno do Irã ampliou a tensão com governos europeus, que também já vinham sendo pressionados por Washington em temas como gastos militares, Ucrânia e Groenlândia.
Território autônomo da Dinamarca, a Groenlândia integra a área estratégica do Atlântico Norte e voltou ao centro do discurso de Trump neste ano. A referência feita nesta quarta-feira (8) recoloca o tema em meio ao desgaste entre Washington e aliados europeus, num momento em que a relação dos Estados Unidos com a Otan segue sob pressão.